Nesse livro, Ehrman nos mostra os erros contidos nas milhares de cópias que existem só do novo testamento. Pra se ter uma ideia, de manuscritos do novo testamento em grego, existem hoje cerca de 5.700 cópias e nenhuma delas são iguais entre si, todas elas contém erros. Em termos comparativos, Ehrman diz que existe mais erros em todos os manuscritos do novo testamento do que palavras. Entretanto, embora agnóstico, Ehrman não é tendencioso e deixa claro em seu livro que a grande maioria dos erros encontrados nos manuscritos do novo testamento, são erros facilmente identificáveis e erros comuns que podem realmente ocorrer durante a cópia manual de uma obra, são erros como: trocar uma palavra por outra palavra cuja escrita ou som são parecidos, escorregão da pena, erro ortográfico ou até mesmo supressão de algumas partes onde o copista, no momento da cópia ao olhar novamente pro manuscrito que tava copiando, tinha a impressão que já tinha copiado aquela parte (não sei se ficou claro esse tipo de erro que tentei explicar kkkkk. Na escola, me lembro que quando copiava um texto de um livro para o caderno, cometia muito esse erro de olhar o texto e escrever a linha errada)
Porém, nem tudo são flores, existe de fato adulterações nas cópias dos manuscritos. Ehrman, novamente não sendo tendencioso, embora agnóstico, deixa claro que a maioria dessas adulterações foram feitas com boas intenções. Aliás, no final de seu livro Ehrman compara isso com os dias de hoje. Ele diz que hoje, por exemplo, diversas vertentes cristãs ao ler uma passagem da Bíblia a interpretam de uma determinada forma, não necessariamente com más intenções, é apenas a forma como determinada vertente compreende. Antigamente, era da mesma maneira que é hoje, com a diferença que os copistas podiam transmitir sua interpretação pessoal nos textos, colocando de maneira mais "clara" a forma que ele, o copista, achava que era a correta. Porém, embora as intenções na maioria das vezes eram boas, não deixa de ser uma adulteração que acabava por priorizar determinada crença de uma determinada vertente do cristianismo por assim dizer, pois na idade antiga, no período do cristianismo primitivo, existia diversas comunidade ensinando doutrinas diferentes, tal como é hoje.
No decorrer do livro Ehrman nos apresenta alguma dessas adulterações que podem realmente fazer a diferença na forma como a pessoa entende o texto bíblico, além tbm de explicar algumas técnicas usadas pelos críticos pra tentar definir qual possivelmente é a variante que saiu da pena do autor original (já que não temos os manuscritos originais). Mas essa tarefa não é tão simples, como percebemos ao ler esse livro, é toda uma análise que é preciso ser feito.
Em suma, só acredita na bíblia como a inerrante palavra de Deus, aqueles que não procuraram conhecer acerca da época do cristianismo primitivo, todas as questões sociais e teológicas que permeavam a época e influenciaram nas cópias feitas pelos copistas, que aliás, nos três primeiros séculos, se tratavam de copistas amadores, isso explica o porquê de quanto mais antigo o manuscrito que temos, mais erros ele contém. A "profissionalização" do copista, foi se dá mais ou menos no final do século IV, início do século V, um pouco antes ou no início da idade média, onde tal tarefa foi atribuída à monges que tinham um local próprio - denominado "Scriptorium" - para se fazer essas cópias, e o que saía da pena desses monges eram verdadeiras obras de arte