Direito à Memória e à Verdade - Luta, Substantivo Feminino - Mulheres torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura

    Tatiana Merlino, Igor Ojeda

    Caros Amigos
    2010
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-13: 9788560814381
    Português Brasileiro

    (...) Além do registro da vida e morte de 45 mulheres brasileiras que lutaram contra a ditadura, este livro inclui o testemunho de 27 sobreviventes que narram com impressionante coragem as brutalidades das quais foram alvo, incluindo quase sempre torturas no âmbito sexual, alguns casos de partos na prisão e até episódios de aborto. Esses depoimentos das sobreviventes da tortura estão distribuídos ao longo do livro, entremeados das histórias das 45 mulheres mortas. Alguns boxes explicativos fornecem informações pertinentes às narrativas. Os textos introdutórios de cada capítulo buscam resumir o contexto de cada fase da repressão política. O artigo “Resistência e dor”, de Maria Auxiliadora de Almeida Cunha Arantes, focaliza aspectos da subjetividade hedionda da tortura, bem como a força decisiva das mulheres na luta para superar esse triste período da nossa vida nacional. (...)

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    Manu Leal 📖 picture
    Manu Leal 📖09/07/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Tortura nunca mais. Esquecimento nunca mais!

    Como terceira publicação, fruto do relatório Direito à memória e à verdade, lançado em 2007, este livro traz à tona histórias de 45 mulheres mortas e desaparecidas durante a Ditadura Militar no Brasil, investigadas pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos em quinze anos de atividade e, ainda, depoimentos de 27 sobreviventes das prisões e torturas do período. Neste livro, por meio das investigações feitas pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, 45 mulheres puderam ter suas histórias de morte e desaparecimento contadas de uma maneira mais próxima à realidade, diferentemente do que constava nos relatórios “oficiais”, onde a responsabilidade dos órgãos repressores era omitida e, nos quais assassinatos e torturas eram forjados e absurdamente mascarados em acidentes automobilísticos, suicídios, troca de tiros com a polícia; isso quando não simplesmente se dava cabo da vida destas mulheres ateando fogo a seus corpos em pilhas de cadáveres, ou as enterrando em vala comum, como indigentes, e negavam suas entradas e passagens pela prisão aos familiares desesperados. Os 27 depoimentos de mulheres sobreviventes às torturas apresentados neste livro são relatos difíceis, de dor, resistência, medo, ansiedade, impotência, de torturas de todos os tipos. Torturas estas que iam desde castigos físicos, como o pau de arara, a cadeira do dragão, a coroa de cristo, o telefone, a palmatória, o choque elétrico e o frigorífico, até os psicológicos ao torturar colegas e companheiras/os uns na frente dos/as outros/as, ameaças de tortura e morte às/aos familiares, ameaças contra suas vidas e de estupro, que em muitos dos depoimentos mostraram-se passar dos gritos à realidade. Por fim o livro apresenta a participação das mulheres na luta armada contra a ditadura militar brasileira. Participação essa que foi por tempo demais ofuscada e por muitos esquecida, mas tão importante quanto a masculina, apesar do machismo dentro das próprias organizações de esquerda.

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