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    Sermões

    Nuno Ramos

    Iluminuras
    2015
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-13: 9788573214536
    Português Brasileiro
    3.9
    6 avaliações
    Leram7Lendo0Querem18Relendo0Abandonos1Resenhas0
    Favoritos1Desejados18Avaliaram6

    Quando, em 2011, o Nuno me pediu que lesse esta obra, queria uma resposta para a questão que se colocam os escritores inteligentes: se o que fizeram merece nascimento. A par, revelou-me que a coisa ficara maluca.Corajosos, sábios os que questionam a maluqueira sem resposta da existência humana!, sejam eles Platão, o filósofo que baniu os poetas da República, ou o protagonista deste Sermões, professor de filosofia reformado, autobanido tornado poeta. Obsceno significa, etimologicamente, fora de cena. Esse, o lugar dos exilados.Respondo que, além de nascimento, este livro merece júbilo, celebração. Não são hoje os leitores dos poetas, como os poetas, exilados? No espaço linguístico e cultural da língua portuguesa europeia e sul-americana, o vocábulo “sermões” remete ao padre Antônio Vieira (Lisboa, 1608 – Salvador/ BA, 1697), cuja vida de pregador ecoa em nossa memória cultural coletiva.Um sermão é uma obra de circunstância aplicada a uma ocasião (litúrgica, da vida política, religiosa ou institucional). O autor está fisicamente envolvido no sermão enquanto pregador, oferecendo o corpo, a voz, o pensamento à assembleia. Uma componente biográfica marca tanto a leitura pública (forma sui generis de publicação) quanto a redação.Autobiográfico, o protagonista de Sermões escreve para si sobre si, não para se comemorar mas para se registrar, nisso condensando as questões identitárias que todos os seres humanos se colocam alguma vez. Quem sou? O que faço aqui? Vale a pena? Subjacente, a dúvida quanto ao valor das condutas humanas que parecem esvaziadas dele (o cio cego, por exemplo) e, consequentemente, as questões do suicídio e da loucura. Coisa maluca. Se a identidade não é suficiente, então não é autêntica; aqui, a demanda por mais identidade é feita no registro das experiências, mostrando que o entendimento depende da forma discursiva. A reflexão prévia ao entendimento surge não no ato, mas no ato em diferido registrado, isto é, na obra. É no registro do físico (a cópula) que o professor de filosofia arranca. Questionar o físico almeja o metafísico (o sentido). A carne, feita verbo, torna-se metafísica e faz-se verso, ou seja: poética.Laica ou sagrada, a oratória foi sempre cívica. Oratória é, como a poesia, trabalho de linguagem. Lugar difícil e obsceno, cuja grandeza se define a posteriori pelo jogo entre força e forma, a poesia suscita emoções estéticas mas também amorosas. Nisso, não dista das experiências religiosas: ambas se elevam a aperfeiçoamentos que não podemos senão considerar também malucos.A construção desta obra notável esteve amarrada a uma trama mínima – a qual surge sintetizada, como bônus para o leitor, em nota final ao livro

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    Avaliações

    3.9 / 6
    • 5 estrelas50%
    • 4 estrelas0%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas17%
    • 1 estrelas0%
    Nuno Álvares Páscoa de Almeida Ramos profile picture

    Nuno Álvares Páscoa de Almeida Ramos

    Escultor, pintor, desenhista, cenógrafo, ensaísta, videomaker. Nuno Álvares Pessoa de Almeida Ramos cursou filosofia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo - FFLCH/USP, de 1978 a 1982. Trabalha como editor das revistas Almanaque 80 e Kataloki, entre 1980 e 1981. Começa a pintar em 1983, quando funda o ateliê Casa 7, com Paulo Monteiro (1961), Rodrigo Andrade (1962), Carlito Carvalhosa (1961) e Fábio Miguez (1962). Realiza os primeiros trabalhos tridimensionais em 1986. No ano seguinte, recebe do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP a 1ª Bolsa Émile Eddé de Artes Plásticas. Em 1992, em Porto Alegre, expõe pela primeira vez a instalação 111, que se refere ao massacre dos presos na Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru) ocorrido naquele ano. Publica, em 1993, o livro em prosa Cujo e, em 1995, o livro-objeto Balada. Vence, em 2000, o concurso realizado em Buenos Aires para a construção de um monumento em memória aos desaparecidos durante a ditadura militar naquele país. Em 2002, publica o livro de contos O Pão do Corvo. Para compor suas obras, o artista emprega diferentes suportes e materiais, e trabalha com gravura, pintura, fotografia, instalação, poesia e vídeo.

    21 Livros
    2 Seguidores
    São Paulo , Brasil

    Nuno Álvares Páscoa de Almeida Ramos