O Rei da Vela é uma peça que ficou esquecida por 34 anos até que aleatoriamente alguém achou um livrinho sujo jogado de canto e leu. O ano era 1967 e o contexto foi perfeito para o resgate da obra. Em plena ditadura, que no ano seguinte baixaria o AI-5 dando início aos anos de chumbo, os militares não sentiram confiança para censurar uma crítica que sabiam que estava sendo feita para eles em forma de Teatro. O autor era o Oswald de Andrade, ícone do modernismo, da geração de 22, que tinha escrito a peça na década de 30, foi até um susto generalizado de todos os lados perceber que as coisas estavam do mesmíssimo jeito. Zé Celso conta que na estreia da encenação o silêncio foi assustador e agoniante, ninguém esboçou uma reação sequer por um tempo após o fim; foi preciso que os críticos nos jornais dessem um encorajamento para que as pessoas sentissem que podiam gostar.