O Cais das Merendas -

    Lídia Jorge

    Dom Quixote
    2007
    247 páginas
    8h 14m
    ISBN-13: 9789722023467
    Português Brasileiro

    Publicado em 1982, O Cais das Merendas, segundo romance de Lídia Jorge, desenvolve-se em torno dos temas da identidade e da aculturação. Trata-se de uma narrativa poética, teatralizada, em que as personagens rurais, confrontadas com o mundo exterior, dão testemunho da sua intimidade, seus medos e desejos mais fundos. Neste caso, a acção desenrola-se à beira-mar, numa praia do Sul de Portugal, girando as figuras em torno de um pólo central, o Hotel Alguergue. Ocupado durante a época alta por turistas de várias nacionalidades, o hotel fica completamente despovoado durante os meses de Inverno. É então que os naturais da zona, esquecidos dos seus hábitos, precisam de se embriagarem para voltarem a usar a sua língua materna, e recitarem em voz alta as histórias tradicionais do seu país. Figuras como Rosarinho, pai Patroços, Miss Laura ou Sebastião Guerreiro, que vemos desfilar durante esses parties interpretam a hesitação de uma comunidade dividida entre o desejo de se modernizar e de manter o que de si mesma entende por próprio e genuíno. O Cais das Merendas apresenta-se como uma espécie de anti-epopeia colectiva, sugestão dada inclusive pela divisão em dez capítulos. O último parágrafo do livro poderá servir de emblema a esta espécie de saga portuguesa sobre o esquecimento de si.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    Hevellyn Emanuely picture
    Hevellyn Emanuely19/05/2025Resenhou um livro
    0

    Que loucura!!!!

    Ler O Cais das Merendas não é fácil. É uma leitura que exige pausa, silêncio, e às vezes até um pouco de paciência. A narrativa é fragmentada, feita de pedaços soltos, memórias embaralhadas, palavras que não vêm de uma vez. E é justamente aí que mora a beleza – porque os personagens também são assim: partidos, cheios de lacunas, tentando se entender no meio do que sobrou. Cada cena, cada conversa, parece trazer uma camada diferente de dor, de saudade ou de confusão. E a gente, como leitor, vai costurando esses fragmentos junto com eles, tentando dar sentido a um passado que nunca foi completamente dito.

    curtir

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 3
    • 5 estrelas0%
    • 4 estrelas67%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%