Este quarto volume marca um desdobramento crucial na saga do Monstro do Pântano, tanto por fazer o "Gótico americano" convergir com o cataclismo cósmico da "Crise nas Infinitas Terras" quanto por traçar uma jornada de autodescoberta para o Monstro em relação à dimensão de suas capacidades a nível planetário e (conforme visto no volume seguinte) além.
Continuando sua trip pelos horrores americanos (passando até pelo Brasil), desta vez lidando com um assassino, fantasmas e bruxos, ainda sob a duvidosa orientação de Constantine, o Monstro toma conhecimento de um plano sinistro orquestrado por uma seita que deseja aproveitar a Crise para libertar um mal primordial indizível, tipicamente lovecraftiano. Paralelamente, ele desvenda seu papel nesse esquema cósmico e é apresentado ao Parlamento das Árvores. Essa história é não apenas importantíssima para a saga, mas uma bela homenagem de Moore aos Monstros do Pântano anteriores. É também a forma definitiva de consolidar a natureza e os ciclos de origem dos elementais, ideia já esboçada em "A lição de anatomia".
A propósito, uma característica recorrente de Moore, e muito útil para fins de coerência e continuidade, é justamente essa capacidade de semear ideias, conceitos ou acontecimentos que ressoarão em algum momento mais adiante. Isso pode ser visto neste volume desde a primeira história ("E o vento trouxe"). Embora seja a menos notável da compilação, é relevante por introduzir Chester Williams, um personagem cuja relação com Abby e o próprio Monstro será de grande importância na saga daí em diante. Por outro lado, as histórias deste encadernado também funcionam como um complemento paralelo à própria "Crise nas Infinitas Terras". Enquanto a maioria dos heróis da DC enfrentavam as implicações do evento no plano físico do multiverso, o Monstro e outros personagens deslocaram-se para o plano espiritual, a fim de enfrentar a escuridão em sua origem (resultado dos acontecimentos de "Revoada de corvos").
O que se segue é um confronto no além que, se não apela para o quebra-pau da Crise "física", destaca-se pelo embate filosófico e místico entre as trevas e seus oponentes. Isso é ser épico em nível transcendental.