Os Anos Vertiginosos - Mudança e Cultura no Ocidente - 1900-1914

    Philipp Blom

    Record
    2015
    602 páginas
    20h 4m
    ISBN-13: 9788501087812
    Português Brasileiro

    Europa, início do século XX: um mundo à deriva, uma era pulsante de criatividade e contradições, às voltas com questões como terrorismo, globalização, imigração, consumismo, o colapso dos valores morais e a rivalidade entre as superpotências. O século XX não nasceu nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, mas nos quinze vertiginosos anos que a antecederam. Nesse curto período, surgia uma nova ordem mundial, em trágica contradição com a antiga. Foram os anos em que as repercussões políticas e individuais da Revolução Industrial fizeram-se sentir em todo o mundo: as cidades cresciam como nunca à medida que as pessoas fugiam do campo e de suas identidades tradicionais; a ciência criava novas possibilidades, e também novos pesadelos; a educação mudava a percepção de milhões de pessoas; e as mulheres buscavam mudar seu lugar na sociedade. Da tremenda expectativa de um novo século encarnada na Exposição Universal de Paris em 1900 ao assassinato de um arquiduque Habsburgo em Sarajevo em 1914, Philipp Blom faz a crônica, ano a ano, dessa época extraordinária. Primeiros-ministros e camponeses, anarquistas e atrizes, cientistas e psicopatas misturam-se no palco de um novo século, neste retrato de uma época opulenta e instável à beira do desastre.

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    Karin de Guise picture
    Karin de Guise14/12/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    O mundo antes da 1ª Guerra

    Como era o mundo nos 14 primeiros anos do século XX, antes da Grande Guerra que iria mudar para sempre os rumos da Humanidade? Costuma-se chamar esse período de Belle Époque, um período de ouro, idealizado e lembrado com saudade, de forma idílica. No entanto, não era bem assim… Cada capítulo do livro é dedicado a um dos 14 anos, relembrando um fato importante ocorrido: a exposição universal em Paris, as descobertas de Marie Curie, a Guerra dos bôeres, corrida armamentista, as novas tecnologias que revolucionavam o dia a dia (eletricidade, automóveis, cinema, etc), a arte da época (Picasso, Braque, Matisse, Klimt…), o Domingo sangrento na Rússia que seria um prelúdio à revolução bolchevique, as sufragistas e o novo papel da mulher na sociedade, as descobertas de Freud, etc… Ao analisar o impacto dessas transformações, o livro traça o retrato de uma sociedade fragmentada, ansiosa, insegura e pressionada por mudanças rápidas, vivendo sob grande tensão psíquica. Sob a superfície do progresso, acumulava-se um mal-estar difuso. É impossível não fazer um paralelo com os tempos atuais: ética da exaustão X cultura hustle neurastenia X burnout Cidade industrial consumindo energia X hiperconectividade Nacionalismos X polarização Angústia diante da modernidade X ansiedade generalizada Ambas as épocas compartilham aceleração tecnológica, ansiedade masculina, transformação do papel das mulheres, excesso de estímulos, crises de significado, culto ao desempenho, medo de decadência moral, polarização política, instabilidade geopolítica e indivíduos sobrecarregados por mudanças rápidas. Mais do que um retrato do passado, o livro funciona como um espelho inquietante do presente — e como um alerta sobre os custos de ignorar tensões coletivas prolongadas.

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