Na Índia, estátuas de Ganesha são colocadas nos portões internos de muitos templos, simbolizando seu papel como protetor dos espaços sagrados. Ali, peregrinos e passantes prestam homenagem e buscam suas bênçãos. Ganesha: O Removedor de Obstáculos oferece interpretações práticas e cheias de significados das narrativas folclóricas e textos sagrados sobre o exuberante deus com cabeça de elefante, filho de Parvati e do Senhor Shiva. O livro é totalmente colorido e ilustrado.
Ganesha - O Removedor de Obstáculos
James H. Bae
À suprema divindade dos escritores, minhas gratas reverências
Fabíola, minha esposa, ganhou esse livro de presente de aniversário, mas fui eu que me senti o grande presenteado. Ao abrir o livro, tive a feliz surpresa de constatar que as páginas são recheadas por belíssimas ilustrações coloridas, feitas por artistas de diversos estilos retratando as diferentes expressões de Ganesha. Com que alegria me detive diante de cada desenho! Ao ponto de, confesso, não ter dado a mesma importância à leitura do texto. Mas li satisfeito o texto bem escrito e focado mais nos aspectos psicológicos, pois no mínimo foi um ótimo ensejo para apresentar uma sequência tão maravilhosa de imagens de Ganesha! Ainda impactado pela multiplicidade de vivências que essas imagens propiciaram, decidi nesta resenha falar mais sobre Ganesha que sobre o texto em si. E essa primeira decisão levou inevitavelmente a uma segunda: falarei não sobre dados e fatos a respeito de Ganesha, mas sobre um pouco da minha própria jornada de descoberta a partir dele. Desde que me lembro, amo Ganesha. Não guardo recordação da primeira vez que vi sua imagem ou ouvi seu nome, por isso vou falar de um começo igualmente marcante: dediquei a Ganesha meu primeiro livro, O SINCRONICÍDIO sexo, morte & revelações transcendentais (https://www.amazon.com.br/dp/B09L69CN1J), publicado em 2013 pela Caligo Editora (https://caligo.lojaintegrada.com.br/o-sincronicidio-fabio-shiva). A publicação desse livro representou muitas coisas para mim, dentre elas a confirmação de meu nome de autor, que passei a usar desde então. Fabio Shiva significa algo como plantador de feijões de Shiva, e é um nome que me inspira a caminhar no mundo. Adotei esse nome por achar que meu nome de batismo (Fabio Lopes Barretto) não mais me servia, após um problema no coração que me fez por três vezes ser internado e receber a cardioversão elétrica (aquele choque que reinicia o coração, que já vimos em tantos filmes e seriados). Resumi essas experiências em um poeminha intitulado 3 X CTI: Fabio Lopes morreu. Fabio Barretto morreu. Fabio sem nome morreu. Antes eles do que eu! Pois então. Adotei o nome de Fabio Shiva em meu primeiro livro, que dediquei a Ganesha. E foi só um bom tempo depois da publicação que me dei conta de motivações inconscientes por trás dessa dedicatória. Ganesha é o filho de Shiva, que durante um embate corta a cabeça do filho e, para ressuscitá-lo, coloca no lugar uma cabeça de elefante. E a trama de O Sincronicídio gira em torno de um pai que também mata o filho. Ao tomar consciência dessa conexão, acessei a dolorosa e frequentemente reprimida lembrança de que eu também havia assassinado meu próprio filho, por conta de um aborto realizado muitos anos atrás. Acabei contando essa história em um outro livro, DIÁRIO DE UM IMAGO contos e causos de uma banda underground (https://www.amazon.com.br/dp/B07Z5CBTQ3), o que foi uma experiência libertadora. Contudo, voltando a O Sincronicídio, graças a essa sincronicidade entre Ganesha, a história contada em meu romance e minha própria história pessoal, pude perceber como eu inadvertidamente havia escrito um livro dentro do livro. Além do livro externo, para a leitura de todos, havia também um livro secreto, com mensagens destinadas exclusivamente a mim mesmo. Essa descoberta foi definitiva em minha jornada como escritor e como ser humano. Até então, eu acreditava que minha vocação literária era ser um escritor de romances policiais (como é o caso de O Sincronicídio). E depois disso, percebi que devia me tornar receptivo aos livros que eu precisava escrever, independentemente do gênero, a fim de receber as mensagens que só ao escrevê-los eu poderia acessar. E assim tem sido, graças a Ganesha! Ganesha é considerado o padroeiro e o maior de todos os escritores, por conta de ter sido o redator do grande épico indiano Mahabharata. Além disso, dentre seus muitos atributos, há um que muitas vezes invoco em minha rotina de escritor: o aspecto de Natesh, o Senhor do Drama! Que cada palavra que eu escreva seja sempre uma oração de gratidão a esse doce e encantador Senhor. Jai Ganesh! https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2022/10/a-suprema-divindade-dos-escritores.html
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