O busto de Adão e outras poesias (Chiado, 2015, 127 p.), do autor parceiro do blog, Bruno Felix, é de uma sensibilidade incrível. Com uma pegada direta, irônica, rápida, e por vezes romântica, Bruno não deixou a desejar em nenhuma poesia. Alguns escritos tem um apelo social – recheado de ironia -, alertando para coisas que deixamos passar, ou coisas que nos apegamos tanto, que era melhor ter deixado passar. Fiz muitas marcações, e escrevi algumas anotações também, de pensamentos que eu já tive, mas que ele, sabiamente, soube transmitir em palavras. A poesia Um brinde de amanhã (foto abaixo) me trouxe uma sensação tão boa de liberdade, de desapego. Fiquei pensando: sabe aquela roupa que achamos linda, que compramos para usar em uma “ocasião especial”? Pura besteira. O hoje [ou agora] acontece a cada instante, a cada milionésimo de segundo, que se formos pensar em uma ocasião especial para usar algo, o momento seria agora. É uma poesia que me deu vontade de nascer de novo e de novo para a vida, e contemplar as coisas mais simples e belas que a natureza tem a nos oferecer: desde um nascer do sol, até um café com os amigos. Coisas estas que deixamos passar por “não termos tempo”, por sempre imaginar estarmos ocupados para realizar cotidianos.
Em O ofício da poesia (foto abaixo), Bruno destaca a arte de fazer poesia. Mas eu diria fazer prosa E poesia. O processo de construir uma história, construir principalmente esta poesia tão pura que lemos, é algo amedrontador. Libertador, mas mete medo. Na realidade, tudo o que tocamos ou vemos, já é de certa forma poético. Já foi criado por Algo ou Alguém, e a função do poeta é moldar, martelar, esculpir e deixar com que a poesia bruta seja um pouco mais fina e significativa. Seu objetivo final é retirar o excesso. Mas nem sempre, esta é uma arte grata.
Bruno também apresenta ao leitor alguns Haikais. Particularmente, acho incrível a arte de escrever este tipo de poesia. Interessante como até mesmo o título faz parte atuante do restante do texto.
Não posso esquecer dos incríveis ilustrações do Arthur F. Padua, também mineiro. São todas ilustrações em preto e branco. É um livro de páginas amareladas, super levinho e gostoso de segurar. O trabalho gráfico da editora também está incrível. Eu amei ter lido este livro. Com certeza trouxe mais leveza em minha vida