Essa obra poderia ser considerada uma autobiografia, o que não é, como a autora, Sophia Amoruso mesmo diz. É bem mais do que isso. Através de suas histórias e fatos de sua vida, Sophia nos mostra como foi que a Nasty Gal nasceu e tudo que envolveu o crescimento da marca e de si mesma como uma profissional que hoje é tida como exemplo desse segmento de vendas no mercado.
É um livro que conta como Sophia chegou onde está, tudo que passou em sua vida e o que a fez seguir por esse caminho. Através de sua narrativa dinâmica e informal, ela conta detalhes de sua adolescência e infância nem um pouco exemplares, com acontecimentos importantes e coisas boas e ruins. Ela procura deixar bem claro que tudo ocorreu na sua vida, é parte do que a fez se tornar quem é agora, que mesmo não tendo uma vida brilhante ou um diploma valioso, ela conseguiu ser alguém e passar a mensagem que queria ao mundo, sem deixar de ser ela mesma.
O livro inicia com Sophia relatando sobre como surgiu a Nasty Girl Vintage, inicialmente sua loja online no e-Bay. Como as roupas eram conseguidas e arrumadas, as fotografias tiradas, a divulgação da loja, como era trabalhar sozinha no seu quarto, responsável pela produção de tudo relacionado à Nasty Girl. Desde o começo Sophia tinha um senso fotográfico e de marketing naturais dela, que nunca estudou tais coisas, mas já fazia o que muitas empresas e marcas começaram a fazer apenas recentemente. Ela tinha todo o cuidado de postar os mínimos detalhes sobre as roupas, desde o tamanho até o estado das peças, e ainda, com dicas de como usá-la e ajustá-la. Respondia o mais rápida e educadamente suas clientes que postavam dúvidas, junto com a embalagem do envio do produto ela mandava uma espécie de recado personalizado agradecendo a compra.
"Eu imprimia um recibo e um bilhete feito rapidamente no Photoshop, dizendo: “Obrigada por comprar na Nasty Gal! Esperamos que você ame sua nova peça tanto quanto nós!” — ainda que “nós” fosse apenas eu. Depois eu colocava numa caixa e metia uma etiqueta de envio. Só que nada era feito com desleixo — tinha muito orgulho do cuidado com que eu afixava essas etiquetas. Tinha que supor que a minha cliente fosse tão exigente e tão preocupada com estética quanto eu. De qualquer forma, a última coisa que eu queria era que ela pensasse que se tratava de uma única garota botando a mão na massa sozinha num quarto..."
Aos poucos, Sophia foi ganhando mais experiência no mundo virtual do e-Bay e teve de lidar com coisas bem inoportunas, como vendedoras traiçoeiras que, ressentidas por ela estar se dando bem e tornando a loja famosa, procuravam o que podiam, qualquer errinho, para denunciar os leilões da Nasty Girl e fazer Sophia perder o trabalho de uma semana. Ainda assim, ela mesmo diz que não tinha tempo para se ocupar com bate-bocas, ela apenas arrumava e continuava seu trabalho, focada em fazer a própria loja melhorar do que ter de lidar diretamente com vendedoras desocupadas.
O livro é nada menos que inspirador, principalmente para alguém que está se “iniciando” por assim dizer, no “mundo adulto”. Sophia mostra que você deve lutar e dar o melhor de si mesma para tornar algo melhor e atingir o seu objetivo, sem se preocupar com negatividades alheias. O importante é ser você mesma e continuar trabalhando duro.
A autora dá inúmeros exemplos, experiências que ela mesma teve e aprendeu na marra, sobre comportamento, empreendedorismo e profissionalismo. Ficamos sabendo completamente da jornada que foi a Nasty Gal e as mudanças que isso trouxe para Sophia, assim como seu amadurecimento e crescimento pessoal.
A leitura é rápida e fluída, e o livro tem pouco mais de 140 páginas, então você lê rapidinho. Vale a pena ser lido porque é interessante ver a experiência de alguém como a Sophia, autêntica e que não precisou seguir todas as regras e imposições da sociedade para obter sucesso profissional e pessoal.