Sendo um dos livros mais populares de Scott Hahn, Razões para Crer é amplamente aceito por católicos que desejam conhecer mais a respeito de sua crença ou que desejam ter argumentos mais fortes e coerentes para defender seu posicionamento religioso.
Assim como os outros livros, Scott não se aprofunda muito em alguns detalhes e informações biblicas. Nesse, ele dá ao leitor o motivo dele escrever o livro: Razões para crer é como se fosse uma introdução a Apologética Católica Romana, assim, todo leitor já deve ter em mente que alguns assuntos comentados serão bem superficiais, tratados bem rapidamente, e nem toda explicação será "muito boa" e "irrefutável", na verdade, tudo se trata de um ponta pé inicial para o leitor conhecer mais a sua igreja e fé, ao ponto de saber responder algumas perguntas.
Percebi que é uma marca nos livros de Scott a superficialidade de alguns argumentos. Digo isso porque muitas vezes, ele usa sua experiência de sua vida ,ou de outra pessoas, como parâmetro para afirmar(ou validar) um argumento ou posicionamento. Desse modo quando ele cita uma ou outra referência bíblica, ou comenta alguma passagem das escrituras, é apenas para justificar uma ideia ou opinião que ele já possui.
Assim, ele não fez nenhuma exegese utilizando algum texto bíblico completo por si. Quando ele comenta brevemente sobre algum é apenas uma repetição do que a igreja católica já definiu e que ele se esforça para tentar explicar ao leitor. Por causa disso, Ele acaba utilizando com frequência trechos se Hebreus e Apocalipse para justificar seus argumentos, tudo é claro, sem observar o contexto de tais livros... o que prejudica a leitura.
Sobre experiências e opiniões pessoais, todos nós possuímos algum tipo de experiências com Deus, nosso testemunho pessoal de fé é algo positivo e útil, mas não é aplicável a toda circunstância, ainda mais se tratando de interpretação de texto. Por exemplo, Scott, usando isso, tira conclusões de passagens que o contexto bíblico nunca teve a pretensão de ensinar a seus leitores.
Se fosse um protestante a fazer isso, logo haveria algum tipo de questionamento, retaliação ou crítica, mas parece que Scott tem "carta branca" para fazer qualquer coisa para reafirmar os dogmas oficiais da igreja. Um exemplo disso é a seguinte passagem:
--"Ainda assim, alguns podem se questionar se é permitido aos cristãos falar com os mortos, que é uma prática proibida no Antigo Testamento (Lv20.27, Dt 18.11). Nossa resposta é evidente a partir de Hebreus, do Apocalipse e de todo o Novo Testamento: "Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro", disse S. Paulo (Fl 1.21). Os santos no céu entraram totalmente na vida com Deus e estão mais vivos do que nós, mais vivos do que qualquer um na fase da terra que pode falar. Pois Deus "não é um Deus de mortos, mas de vivos" (Mc 12.27)." - pág 106
Com esse parágrafo acima, Scott reafirma e tenta justificar a utilidade e a pratica da oração a santos. Ele faz um malabarismo teológico para tentar justificar algo que a escritura nunca ensinou a respeito dos que "já foram" ou daqueles "já estão com Deus", mas como a Igreja Católica ensina tal doutrina, ele usa de associações, trechos bíblicos fora do contexto, interpretações distorcidas e de sua opinião pessoal para validar e sustentar tal perspectiva e prática.
Outro trecho que isso acontece é a respeito da autoridade de Maria sob o ministério terreno de Cristo, como se fosse por causa dela que Jesus conseguiu fazer as coisas:
--"Podemos duvidar de que suas orações (as orações de Maria) são eficazes? Temos que reconhecer que, ao menos neste caso, um pedido de Maria gerou um movimento de três anos seguintes repletos de uma série de milagres e maravilhas" - pág 109
Desse modo, incentivo que todos que queiram ler esse livro, leiam os capítulos completos das referências bíblicas que são citadas para perceber quando a opinião do autor distorce ou acrescenta coisas que a passagens bíblicas não afirmam.
Nos últimos capítulos o autor correu para acabar o livro. Ele termina o livro incentivando a cordialidade e o respeito durante os diálogos entre católicos e protestantes ou católicos e pessoas que possuem dúvidas com respeito aos dogmas e doutrinas da Igreja Católica Romana. Algo bom e sadio, a cordialidade ultrapassa as diferenças pessoais.