Fui, graças à um curso que estou fazendo, apresentado à essa obra.
O único texto que eu havia lido de Platão foi a “Apologia de Sócrates”, no qual o julgamento do filósofo era o tema central da obra. Ali, pude - aos poucos - reconhecer a genialidade que é tanto Platão, quanto Sócrates. E juntamente com essa obra, tive ainda mais convocação desse pensamento, que se instaurou em mim quase como um dogma.
Somos - logo na primeira frase - jogador no questionamento à respeito da virtude, ela pode ser ensinada? Bom, Sócrates é quase um cirurgião com suas respostas, se atentando a cada mini-palavra para ter certeza de que discorrerá da melhor maneira possível. Isso já é refletido na sua contra-pergunta; o que é a virtude?
Diante disso, somos encharcados de conhecimento, passando por várias linhas de raciocínio, passando por vários poços profundos de reflexão, para então chegar à bom e velha aporia. Não obstante, podemos deduzir então que a obra foi “inútil”, ora, não se teve um consenso em relação à resposta, e todas as teorias apresentadas se mostraram “fracas”. Isso, meus leitores, é o que um tolo diria.
Esse diálogo é um ensinamento, não apenas em relação à como refletir sobre uma questão, mas como interpretar as reflexão que nos são apresentadas.
Sócrates se mostra um verdadeiro filósofo, se atentando as mínimas palavras ditas por seu companheiro, Mênon. Colocando tão afirmação em formato exemplificado, há a parte - em determinada parte do diálogo - que Sócrates explica a teoria da anamnese, que basicamente prega que há almas eternas(quando um ser humano morre; nasce outro, com a mesma alma) e em virtude disso; todo conhecimento não existi. Tudo que adquirimos, na verdade, só estamos relembrando um “conhecimento” nos apresentados em vidas anteriores. Pois bem, diante disso, o Menon pede à Sócrates que ele lhe explique e “lhe ensine” sobre a teoria. Eu, enquanto lia, não vi maldade em tal pergunta - e de fato o Menon justificou posteriormente que não tinha nenhuma intenção de exprimir uma “armadilha”, que foi o que Sócrates interpretou. Julgando a pergunta de Menon como uma forma de colocá-lo em contradição, já que “explicar um conhecimento”, era falso, já que tudo é “relembrado”(é uma parte meio complexa, julgo necessário a leitura para maior entendimento).
Seguindo a obra, somos postos diante de mais um questionamento; a virtude é uma ciência? Novamente Sócrates vai atrás da resposta, e as conclusões à que chega é; se virtude é ciência, há mestres dessa ciência; seres capazes de ensinar esse assunto. No entanto, na busca por esses mestres, Sócrates peca. Ele convida o Ânito(um dos jurados a favor da morte de Sócrates em “apologia de Sócrates”), que tenta estabelecer os “mestres” da virtude. No entanto, com a maiêutica de Sócrates, o poeta cai em contradição, falhando no objetivo. O que leva, novamente, à aporia.
E por mais que não tenhamos a resposta, refletirmos sobre o que foi discutido. O que leva a mais reflexão, e mais, e mais…
Somos, por fim, apresentados à mais uma questão; a opinião verdadeira tem o mesmo valor que a ciência? Ora, se minha opinião à respeito de um tema está correto, logo minha opinião é válida, tanto quando se fosse científica.
Confuso? Complexo? Profundo? Acredite; não é nada. Nunca senti que aprendi tanto em tão poucas páginas quanto senti lendo essa obra.
Saliento, por fim, só a “conclusão” no qual chegaram; “a virtude não seria nem por natureza nem coisa que se ensina, mas sim por concessão divina, que advém sem inteligência àqueles aos quais advenham”.
Por fim, leiam.