A história se passa nas primeiras 72 horas após um grande terremoto que ficou conhecido como “O Grande Terremoto de Xangai” que teria acontecido em 2108. A partir daí já sabemos que se trata de uma história futurista e de sobrevivência, bem similar as histórias distópicas que temos no mercado hoje em dia. O conto narra a luta por sobrevivência dessa população desolada pelo caos causado por este terrível terromoto que destrói toda a cidade. Temos como protagonista um personagem masculino, que vai dar ao conto um olhar mais pessoal sobre a destruição. Ele acorda dentro do metrô após todo o impacto do terremoto e ao olhar a sua volta se depara com uma cena indescritível, montes de vítimas amontoados ao seu redor, e a partir daí começa a sua luta pela sobrevivência, onde ele precisa encontrar forças para continuar, mesmo diante de todo o horror de uma catástrofe dessa magnitude.
A narrativa do conto é fantástica, o autor descreve as cenas de forma visceral e impactante, conseguindo ao mesmo tempo um efeito sentimentalista, ele apela para a sensibilidade do leitor quando nos coloca na pele do protagonista, nos deixando sem saída, angustiados e desesperados. Eu, particularmente, consegui visualizar toda a destruição, destroços e horror como se assistisse a um filme, a experiência foi extremamente visual pra mim. Em apenas 20 páginas o Marcelo conseguiu delinear toda uma história bem construída e inebriante, construindo um panorama de caos dentro da mente do leitor, criando expectativas e instigando a nossa curiosidade. Uma das coisas que me chamou muito a atenção também foi a forma como o autor expõe a fragilidade da natureza humana, especialmente em se tratando de sobreviver a uma calamidade. Sabemos que o instinto de sobrevivência fala mais alto em todas as espécies, inclusive no ser humano, e esse aspecto também é muito bem retratado na narrativa deste conto. Recomendo muito a leitura para quem se interessa por distopias e quer conhecer novos autores da literatura nacional!