O principal objetivo de Agostinho ter escrito este livro está basicamente no Livro 3 (assim divido de 1 a 10) desta obra, ao sair em defesa dos cristãos acusados de serem culpados pela derrota de Roma em 1410 por Alarico, rei dos visigodos. Ele define como blasfêmia tal acusação e por 13 anos se dedica a escrita deste livro expondo a imoralidade de Roma e sua injustiça.
Santo Agostinho, como também é conhecido; foi bispo de Hipona, atual Annaba - Argélia, cristão de notório saber, aborda um amplo conhecimento bíblico, filosófico, histórico e mitológico nesta obra.
Seu conhecimento de mitologia grega e romana, subsidia e refuta o discurso infundado da culpa cristã à destruição de Roma. Ao trazer a tona os pormenores da veneração imoral dos romanos aos deuses pagãos; a criação e humanização desses deuses; bem como outorgar sentimentos a deuses, como amor, ódio, vingança e ainda vícios e virtudes, Agostinho deixa claro que a imprudência, adoração desmedida a demônios e injustiça foram as principais causas da derrocada romana. Diante de tal quadro, este sábio, sugere a observância da filosofia platônica como única que se aproxima da verdade.
Porém em seus dias, Platão jazia no além e sua filosofia era propagada pelos discípulos, em especial, Apuleio e Porfírio, os quais ele cita na obra. Esses discípulos defendiam crenças convenientes à época como a existência de deuses bons e maus. Desta forma, nos Livros 9 e 10, Agostinho refuta-os e sai em defesa do cristianismo com mais afinco, enfatizando o Deus verdadeiro como único Deus; Jesus como mediador entre Deus e os homens; e a Cidade de Deus, herança e esperança dos que Nele confiam.
Por fim, para um entendimento melhor do livro, ter um conhecimento básico bíblico, filosófico e mitologia greco/romana, auxilia melhor a leitura. Isto não significa evitá-lo pela falta desta base, pois a obra é uma verdadeira enciclopédia e os livros se complementam facilitando a compreensão.