Poemas marítimos de Cris Dakinis
A escritora Cris Dakinis é autora de um livro de poemas bilíngue chamado “Ao mar/ To the sea”. Lançado pela Editora Costelas Felinas, o livro é artesanal e impresso em papel reciclável, o que compromete pouco a qualidade das fotos que ilustram os poemas – ou será que os poemas ilustram as fotos? O fato é que, da leitura, resta um gostinho de “quero mais”: um livro breve demais para quem gosta de mar e poesia. Os poemas são minimalistas, não nomeados e alguns se encadeiam com outros. Vale destacar alguns: “Ao sol, ao sal... A sinfonia de arrastão, do mar ao cais, à maresia”. Um dos poemas mais belos do livro é o que se segue: “O sal do mar é insípido e à toa, nem se compara às lágrimas do dia... ... que eram de risos em nossa canoa onde o calor dos líquidos fluía.” Ilustrando uma belíssima foto de pôr do sol, temos ainda: “Eu e o mar todo dia no mesmo lugar e nada do mesmo nem eu; nem o mar.” Enfim, ler “Ao mar” é mais do que mergulhar numa imensidão salgada, é fruir um livro que compõe em tons de azul marinho versos delicados, leves como as nuvens que observam o mar. O melhor, mesmo, é mergulhar de cabeça!
