A vida real por vezes é feita de imensas ironias como, por exemplo, você acabar se apaixonando pela pessoa que você mais detesta no mundo. Isso já ocorreu comigo? Não, mas ocorreu com os protagonistas desse livro.
Drake Darling e Ophelia Lyttleton. Duas pessoas afastadas não só pela escala social, mas sim por seus próprios demônios.
Drake é o garotinho de rua chamado Peter que no livro Surrender to the Devil (O Nobre e a Plebéia) tentou assaltar a casa do Duque de Greystone e acabou sendo adotado pela Frannie e o Duque. Ele acabou mudando o nome para Drake como uma forma de aceitar sua nova vida e esquecer o garotinho de rua que ele foi anteriormente, mas não há como esquecer de algo como um pai que assassinou sua mãe, atentou contra a vida da Frannie, e depois de tudo o mais que fez com o próprio Drake, foi enforcado. Em outras palavras, ele tinha sérios tormentos. Conforme os anos se passaram Drake se tornou o gerente do Dodger's (por isso que aconselho lerem a série Scoundrels of St. James antes de lerem essa série), sua vida ia uma maravilha até que uma certa Lady Ophelia Lyttleton cresceu e passou a atormentá-lo com humilhações constantemente.
Ao ler o primeiro livro da série, When the Duque was Wicked, pensei que a Ophelia era uma boa personagem, mas bem esquecível, com nada de marcante. Eu estava bem enganada. A Ophelia no começo do livro é uma megera. Megera mesmo. O livro já começa na festa do casamento da Grace e do Lovingdon e durante essa festa ela tenta humilhar o Drake tentando colocá-lo no lugar dele como plebeu, sendo que o Drake (de saco cheio) dá uma lição nela beijando-a.
E aí na mesma noite acontece o fator que acaba mudando a vida dos dois completamente.
O Drake acha a Ophelia meia afogada no Tâmisa e sem saber que era ela, socorre-a e quando a Ophelia acorda ela não se lembra de nada, nem mesmo do próprio nome. Apesar da preocupação e curiosidade o Drake decide que deve ter uma vingança e faz ela acreditar que ela é sua criada.
Os personagens aqui são bem defeituosos, os problemas de infância deles fizeram com que a vida adulta não fosse fácil, não há desculpas para as coisas que a Ophelia fez, nem para as ações do Drake; com o decorrer do livro você os compreende mais, porém a Lorraine não fez com que os leitores engolissem tudo isso, ela mostrou as ações erradas, os motivos de cada um para fazer o que fizeram e deixou para nós a decisão de absolvição. No meu caso eu absolvi os dois de tudo. Não amei esse livro da mesma forma que amei o When the Duke was Wicked, mas eu reconheço todos os pontos positivos daqui.
A passagem que mais me marcou aqui foi sem dúvida a emocionante conversa do Duque de Greystone e do Drake perto do fim. Admito que lágrimas caíram dos meus olhos também.
No final das contas esse é um livro simples que conta uma história muito dolorosa, mas rica em elementos que fazem de uma leitura extremamente prazerosa.
E agora, que venha o livro do Avendale!