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    Um pequeno herói -

    Fiódor Dostoiévski

    Editora 34
    2015
    88 páginas
    2h 56m
    ISBN-13: 9788573265996
    Português Brasileiro
    3.8
    1145 avaliações
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    Favoritos57Desejados1248Avaliaram1145

    Redigida entre julho e dezembro de 1849, quando o autor se encontrava no cárcere da Fortaleza de Pedro e Paulo, em Petersburgo, à espera da sentença que o desterraria para a Sibéria, a novela Um pequeno herói nada revela das terríveis condições em que foi escrita. Nessas páginas, em contraste com a experiência sinistra da prisão, Dostoiévski criou uma obra luminosa e delicada, que revela sua capacidade sem paralelos de entrar na alma de um personagem e lançar luz sobre os processos que se passam justo aquém da consciência. O cenário é uma propriedade no campo, durante uma temporada de verão, onde se encenam os jogos de entretenimento da rica sociedade russa. Nesse ambiente festivo, cercado por uma natureza exuberante, um garoto de onze anos vive sua primeira experiência amorosa significativa, mesclada à percepção difusa de sua sexualidade e da dos adultos. Com mão de mestre, e muito antes de Freud, Dostoiévski conduz o leitor pelos meandros da alma infantil até seu ponto mais sensível, ali onde se inscrevem - decisivas como num rito de passagem - a descoberta da própria dignidade, impulsionada por eros, e a primeira ofensa, infligida ao sentimento pelo jogo das máscaras sociais. Uma obra-prima a ser redescoberta na primorosa tradução de Fátima Bianchi, acompanhada pelas brilhantes xilogravuras de Marcelo Grassmann.

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    Fabio Junqueira picture
    Fabio Junqueira25/03/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "O primeiro amor a gente nunca esquece"

    Considerada a obra mais luminosa do gênio da literatura mundial, Fiódor Dostoievski, o "Um Pequeno Herói", é uma história sensível e arrebatadora, que foi escrita em 1949, durante o cárcere que antecedeu a clausura na Sibéria, e nos descreve o despertar amoroso e as descobertas lascívias de um jovem menino com pouco mais de 11 anos. "Um Pequeno Herói", narra história de um garoto que passa alguns dias na casa de um parente aristocrata, e como cenário, uma casa de campo luxuosa aos arredores de Moscou, durante a temporada de verão, onde se realiza uma festa interminável, repleta de eventos, jantares, jogos, teatros e tudo mais que integra a rotina e o entretenimento dos abastados da sociedade russa. Nesse ambiente voluptuoso, embebido em melífluos de extravagâncias e exuberâncias, o jovem garoto, vive sua primeira experiência amorosa e o despertar de sua sexualidade, sobretudo a descoberta de sua individualidade e da própria dignidade. O jovem, extremamente tímido, atônito com a atmosfera glamorosa, inicialmente, sente-se atraído por uma jovem dama de cabelos dourados, alegre, espirituosa e provocadora, mas é na belíssima senhora morena, de semblante melancólico, que se enamora. Passa então a observa-la intensamente por todos os lugares, ansiando por cada movimento, palavra ou gesto, que nutre profundamente seus devaneios. Entretanto, sua paixão oculta, é revelada pela loura, que, percebe a fascinação juvenil, e num disparate egocêntrico, vulgariza os sentimentos do jovem a uma plateia ansiosa por inconfidências e escândalos. Não obstante no dia posterior, o protagonista, em ato de bravura, cedendo a provocações da jovem áurea, resisti a um animal violento, e é recebido como herói pelos presentes, e passa a ser notado como um jovem destemido, transformado sua estadia drasticamente. E ao não sucumbir aos percalços e as confusões, toma consciência de si como homem e ingressa ao mundo dos adultos. Narrado em primeira pessoa, sob forma de memórias, em "Um Pequeno Herói", não há apresentações, os personagens não possuem nomes, e o leitor é inserido em meio aos eventos narrados, sem previa explicações, lançados ao acaso em um turbilhão de sentimentos, no interior do fluxo de pensamentos do narrador. Entretanto, a maior dificuldade da obra, está no fato de não haver maiores informações acerca o protagonista, exceto as escassas e esporádicas lembranças do passado, exaurindo, portanto, os vínculos de familiaridade e identidade com o protagonista, motivo pelo qual, nos leva a crer, que, o intuito precípuo de Dostoievski, era salientar os processos psicológicos e comportamentais do jovem menino, concedendo somente o necessário para o desenvolvimento do enredo. No íntimo desse propósito, Dostoievski, nos elucida os vários mecanismos robustos que compõem o manuscrito, resultando em cenas absolutamente espetaculares, longos períodos de devaneios feéricos, e uma infinidade de analogias literárias dentro da própria composição. A genialidade de Dostoievski, está evidenciada na ilação, não só nos vastos recursos técnicos, mas, na capacidade de imprimir veracidade, realidade e singularidade mesmo em um texto tão lacônico. Dostoievski, nos revela em três encontros enternecedores, a tragicidade dos embates psicológicos, e as consequências da luta interior de um jovem, mediante as novas descobertas, implícitas no instinto da vida e nas significações da sexualidade. E através dessa vertente, quase um século depois, Dostoievski, inspirou as linhas conceituais do "Eros" de Sigmund Freud. Habilidosamente, Dostoievski, nos conduz pelos labirintos sinuosos da alma primaveril, e o penetrar nas camadas mais profundas, até o amago do ser, revela o cerne das questões existenciais e de onde elas são insculpidas até o desencadear do estado de latência, posteriormente, o pulsar da vida e a obstinada busca pelos prazeres. Trata-se de um texto carnavalizado, completamente tangível mesmo àqueles que não estão acostumados com as nuances existencialistas. De escrita sensível, traçado em tons oníricos, "Um Pequeno Herói", sincretiza várias correntes de pensamentos do autor, mas que diverge dos habituais escritos dostoieviskianos, haja vista, ser composto em matizes mais suaves e cristalinas, contraponto os usuais escritos tempestuosos, rascantes, e que reverberam bramidos e fúria. Em suma, "Um Pequeno Herói", é uma novela cativante, de escrita primorosa, que sequestra o leitor pelas sensações nostálgicas, sobretudo o despertar da paixão e busca pelo amor idealizado na aurora da juventude. O ser busca avidamente o amor, mesmo que na de reminiscências do passado, visto que, só é feliz aquele que ama, e aquele que não, jamais saberá o valor da verdadeira felicidade, pois a bem-aventurança provém do amor e não sobrevive sem ele, e só aquele que vive o inescrutável sentimento, pode depreender o sentido da verdadeira felicidade.

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    • 5 estrelas20%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas35%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas1%
    Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski profile picture

    Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski

    Dostoiévski – foi um escritor russo, considerado um dos maiores romancistas da literatura russa e um dos mais inovadores artistas de todos os tempos.É tido como o fundador do existencialismo, mais frequentemente por Notas do Subterrâneo, descrito por Walter Kaufmann como a "melhor proposta para existencialismo já escrita." A obra dostoievskiana explora a autodestruição, a humilhação e o assassinato, além de analisar estados patológicos que levam ao suicídio, à loucura e ao homicídio: seus escritos são chamados por isso de "romances de idéias", pela retratação filosófica e atemporal dessas situações. O modernismo literário e várias escolas da teologia e psicologia foram influenciadas por suas idéias.

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    Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski