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    Um estrangeiro na legião - Obras reunidas

    Roberto Piva

    Globo
    2007
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-10: 8525040339
    Português Brasileiro
    4.6
    46 avaliações
    Leram82Lendo7Querem54Relendo1Abandonos0Resenhas2
    Favoritos13Desejados54Avaliaram46

    O livro enfeixa a produção inicial de Piva, compreendendo seus dois primeiros livros - Paranoia, de 1963, e Piazzas, de 1964, ano do golpe militar -, o poema Ode a Fernando Pessoa, publicado em 1961 sob a forma de plaquete e jamais recolhido em livro desde então, e os Primeiros manifestos. O traço predominante nos poemas desse período seria dado pelo viés blasfematório (em diálogo com autores como Whitman e Pessoa, e com a literatura beat), ao que se seguiria uma etapa psicodélica e experimental (característica dos livros que comporão o segundo volume, publicados entre a segunda metade da década de 1970 e o começo dos anos 1980) e um terceiro momento, mais místico e visionário (terceiro volume), que se estende até os dias de hoje. A despeito do caráter um pouco esquemático dessa divisão, ela ajuda a entender seja algumas alterações de rota no percurso criativo de Piva, bem como certas linhas de continuidade no conjunto de sua obra. Nessa medida, o vitalismo de extração romântica, o vínculo tenso com o surrealismo – que em Piva, à diferença do que ocorre em outros autores, não se degrada em mera retórica do não-sentido – e a intertextualidade vertiginosa são alguns dos elementos que podem ser mobilizados para a compreensão do que se funde na fornalha desses versos. Um estrangeiro na legião contém ainda longo e elucidativo posfácio escrito pelo poeta e crítico Cláudio Willer – companheiro de geração de Roberto Piva – e uma boa bibliografia ao final, extremamente úteis para o leitor ávido por mais informações sobre uma das vozes mais importantes no panorama da poesia brasileira contemporânea.

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    Nádia Camuça24/10/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Vísceras.

    Inspirador! Roberto Piva é um poeta como nunca se teve no Brasil, uma pena que não seja tão considerado em círculos mais formais como deveria. Este homem era professor universitário e criticava a universidade como só quem conhece sabe fazer, e com ironia e escárnio sem igual! Piva abriu minha mente.

    2 curtidas

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    • 5 estrelas65%
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    Roberto Piva profile picture

    Roberto Piva

    Roberto Piva nasceu na cidade de São Paulo, em 1937. Sua primeira publicação importante deu-se na Antologia dos novíssimos (São Paulo: Massao Ohno, 1961), e sua estreia em livro ocorreu em 1963, com o livro Paranóia, composto na linhagem visionária de William Blake, e ligado aos experimentos em fanopeia dos surrealistas, no qual Roberto Piva invoca e alinha-se às figuras de poetas brasileiros como Mário de Andrade e Murilo Mendes, proclamando o desregramento dos sentidos e posturas em sua cruzada pessoal pela cidade de São Paulo. Publicou mais tarde os livros de poemas Piazzas (1964), Abra os olhos e diga ah! (1976), Coxas (1979), 20 poemas com brócoli (1981), Quizumba (1983), Antologia poética (1985) e Ciclones (1997). Com os efeitos positivos da abertura pluralizante da década de 90 e o arrefecimento da hegemonia construtivista na recepção crítica e poética brasileiras, ocorre no final da década a valorização da obra de Roberto Piva, assim como a de Hilda Hilst, estabelecendo-os como figuras notáveis e exemplares no início do século XXI, e levando à publicação, por uma grande editora comercial, de suas obras reunidas. Vale notar que a publicação da Poesia Completa e Prosa de Murilo Mendes, em 1994, assim como as traduções amplamente divulgadas de herméticos italianos como Giuseppe Ungaretti, Eugenio Montale e Salvatore Quasimodo, talvez entrem também no emaranhado de causas e sintomas desta transformação na sensibilidade crítico-poética do país. Os livros de Roberto Piva seriam reunidos em três volumes, publicados pela Editora Globo e editados por Alcir Pécora: Um estrangeiro na legião (2005), Mala na mão & asas pretas (2006) e Estranhos sinais de Saturno (2008). Descobri o trabalho de Roberto Piva no mesmo ano em que descobri o de Hilda Hilst, em 1997, quando os dois poetas paulistas lançaram, respectivamente, a coletânea de poemas intitulada Ciclones, e o romance Estar sendo. Ter sido, que encerrava com o fenomenal "A Mula de Deus". Lembro-me, à época, de alguns artigos sobre o poeta que chamavam de transgressor, revolucionário, xamânico. Alguns anos mais tarde, descobriria seus primeiros livros, quando relançaram o volume Paranóia (1963), que tem alguns poemas de grande imaginação e com uma energia que parecia haver se exilado da poesia brasileira. Foi, no entanto, a descoberta de Piazzas (1964) e Abra os olhos e diga Ah! (1976) que me fariam respeitar imensamente a potência imaginativa de Piva. Talvez apenas em Hilda Hilst encontremos tal crueza corporal, tal espiritualidade e carnalidade sexualizadas, que me parecem, por vezes, mais potentes em sua ferocidade que aquelas que encontramos na maioria dos poetas modernistas, mesmo entre alguns que são, tecnicamente, muito superiores a Piva. No Brasil, um dos poucos precursores e mestres é Murilo Mendes. Não há motivos para meias palavras: Piva não foi exatamente um poeta inovador. Não há técnicas realmente "novas" (este adjetivo complicadíssimo e confuso no campo da crítica de poesia), ou algo nele que já não estivesse, de alguma maneira, na poesia de Murilo Mendes e Jorge de Lima, por exemplo, se ficarmos apenas entre os brasileiros. Mas isso, afinal, verdadeiramente não importa muito. Na verdade, a valorização da poesia de Piva demonstra estarmos entrando em capítulo mais saudável da recepção crítica nacional, percebendo que os conceitos de vanguarda e tradição, especialmente aqueles defendidos no pós-guerra, eram ambos ilusórios, porque incompletos, parciais. A poesia de Piva, obviamente em seus melhores momentos, é simplesmente necessária. [http://revistamododeusar.blogspot.com/2010/07/roberto-piva-1937-2010.html]

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    São Paulo, Brasil

    Roberto Piva