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    Clamores

    António Ramos Rosa

    Caminho da Poesia
    1992
    68 páginas
    2h 16m
    ISBN-10: 9722107925
    Português
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    como tudo é real como tudo respira porque a terra é única e ninguém a engana áspera e dura suave e sempre nova por ela levanto este archote de resina ou de sal em chamas porque nela renasço como tudo renasce e sou uma árvore com o pulso de argila ou uma onda vibrante do seu peito profundo o clamor monótono de suas entranhas vermelhas ... eu sou o homem renascido que vê a rosa viva do mundo e sei que piso um astro e estou no círculo da metamorfose ardente tudo é possível porque sou o fogo amante ... ela é um barco ou animal de terra e sangue é o músculo do mar em pleno estio é o desejo do oásis o oásis do desejo ... o seu andar de adolescente marinha desenha sobre a areia o voo de um pássaro

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    António Ramos Rosa

    António Ramos Rosa estudou em Faro, não tendo acabado o ensino secundário por questões de saúde[1] . Em 1958 publica no jornal «A Voz de Loulé» o poema "Os dias, sem matéria". No mesmo ano sai o seu primeiro livro «O Grito Claro», n.º 1 da colecção de poesia «A Palavra», editada em Faro e dirigida pelo seu amigo e também poeta Casimiro de Brito. Ainda nesse ano inicia a publicação da revista «Cadernos do Meio-Dia», que em 1960 encerra a edição por ordem da polícia política. Foi um dos fundadores da revista de poesia Árvore[2] existente entre 1951 e 1953.

    53 Livros
    4 Seguidores
    Faro, Portugal

    António Ramos Rosa