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    Roque Santeiro ou o berço do herói (Coleção Prestígio) -

    Dias Gomes

    Ediouro
    2001
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-10: 850062275X
    Português Brasileiro
    3.9
    315 avaliações
    Leram470Lendo11Querem199Relendo1Abandonos4Resenhas36
    Favoritos2Desejados199Avaliaram315

    A cidade de Asa Branca prosperou nas últimas décadas devido à lenda de Roque Santeiro, um garoto que teria morrido para salvar a população dos cangaceiros. Esse mito é de extremo interesse para Sinhozinho Malta, fazendeiro poderosíssimo da região e que muito lucra por diversos motivos com a história através da fogosa viúva Porcina. Porém, quando menos se espera, Roque retorna à Asa Branca e sua presença passa a ameaçar a continuidade da mentirosa lenda.

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    Tiago Dos Santos picture
    Tiago Dos Santos11/02/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A ideia de um herói

    Como eu me divirto lendo as peças do Dias Gomes. De fácil imersão e com temas que continuam relevantes ainda hoje. Aqui é apresentada uma comédia política, contando a história de Cabo Jorge, cidade renomeada em honra de Cabo Jorge( o herói), morto na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. O famoso quiprocó se desenrola quando ele retorna vivo, em uma cidade acostumada com a idealização da sua morte. Novamente o autor traz personagens tentando se aproveitar do protagonista, com seus próprios objetivos, assim como é visto em O Pagador de Promessas. Só que puxado para a comédia. Gosto de como ele trabalha a comédia, com cenas engraçadas e divertidas que fazem a leitura fluir. Outra temática presente no texto é o significado de liberdade. O quanto Cabo Jorge se sente preso à imagem que fizeram dele, sendo que ele somente queria ser livre para viver a vida. Até mesmo outros personagens seguem essa linha narrativa. Presos na ideia de herói que construíram. “Ah, mas é muito dura a profissão de herói. Se eu tivesse morrido, era fácil. Ou se tivesse sido herói por acaso, sem querer, como muitos. Mas sou um herói por convicção. Um herói de carreira. Por isso tenho de ser herói vinte quatro horas por dia. É cansativo.”

    30 curtidas

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    3.9 / 315
    • 5 estrelas27%
    • 4 estrelas38%
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    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%
    Alfredo de Freitas Dias Gomes profile picture

    Alfredo de Freitas Dias Gomes

    Baiano de Salvador, Dias Gomes nasceu em 1922 e faleceu em 1999. Antes de enveredar para o universo da telenovela (onde já atuava sua mulher Janete Clair), Dias Gomes já tinha ganho notoriedade como autor teatral e projeção internacional graças à sua peça "O Pagador de Promessas" (1959). A peça, traduzida para mais de uma dúzia de idiomas, foi encenada em todo o mundo. Adaptada pelo próprio autor para o cinema, O Pagador de Promessas - dirigido por Anselmo Duarte - foi o 1º filme brasileiro indicado ao Oscar e recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1962. Da mesma forma, "O Bem-Amado" foi a 1ª telenovela a cores da televisão brasileira. Em 1964, Dias Gomes foi demitido da Rádio Nacional, da qual era diretor-artístico - pelo Ato Institucional Nº 1 - enquanto O pagador de promessas estreava em Washington. A partir de então, participou de diversas manifestações contra a Censura e em defesa da liberdade de expressão. Ele próprio teve várias peças censuradas durante a vigência do regime militar (O berço do herói, A revolução dos beatos, O pagador de promessas, A invasão, Roque Santeiro, Vamos soltar os demônios ou Amor em campo minado). Fez parte do Conselho de Redação da Revista Civilização Brasileira desde seu lançamento, em 1965. Contratado, desde 1969, pela TV Globo, produziu inúmeras telenovelas, além de minisséries, seriados e especiais (telepeças). Apesar da censura, não interrompeu a produção teatral, e várias peças suas foram encenadas entre 1968 e 1980, destacando-se Dr. Getúlio, sua vida e sua glória (Vargas), em parceria com Ferreira Gullar, encenada no Teatro Leopoldina, de Porto Alegre, em 1969. Após seus primeiros sucessos na TV (Verão Vermelho e Assim na Terra como no Céu, no início dos anos 70), tornou-se um dos maiores autores da telenovela brasileira. Polêmico, criativo, sarcástico, conseguiu subverter a forma folhetinesca, desenvolvendo o drama e a comédia - sem os chavões tradicionais - com uma mistura de fantasia e realismo que caracterizam a sua obra teatral. São exemplos disso Bandeira Dois (1971), O Bem-Amado (1973), O Espigão (1974). Com Saramandaia, de 1976, criou o realismo fantástico na telenovela. Muito perseguido pela censura dos anos de arbítrio, conheceu um duro golpe ao ver sua novela Roque Santeiro impedida de ir ao ar em 1975. Por fim ela chegou aos lares brasileiros dez anos depois, tornando-se um dos maiores sucessos do gênero. A volta de Dias Gomes à dramaturgia teatral se dá em 1977, com As Primícias, "alegoria político-sexual" que vai à cena em 1979. No mesmo ano é lançado no Rio de Janeiro o seu primeiro musical de grande montagem, O Rei de Ramos, uma fábula cuja ação transcorre no mundo do jogo do bicho. Musicada por Francis Hime com letras de Chico Buarque, a peça é, como tantas outras de Dias Gomes, dirigida por Flávio Rangel. E em 1980 chega à cena Campeões do Mundo, texto no qual ele procede a um acerto de contas com a experiência histórica do regime autoritário, mostrando ao público as diferentes motivações dos jovens que optaram pela luta armada para se opor ao regime e brechtianamente estimulando o espectador a tirar suas próprias conclusões. Imortal da Academia Brasileira de Letras - eleito em 11 de abril de 1991, na sucessão de Adonias Filho e recebido pelo Acadêmico Jorge Amado em 16 de julho de 1991 - Dias Gomes morreu num acidente automobilístico em São Paulo em 18 de maio de 1999, com 76 anos.

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    Bahia, Brasil

    Alfredo de Freitas Dias Gomes