Eduardo Monteiro é um escritor que nos provoca, em cada um dos seus muitos livros (creio que são quinze até agora, editados ao longo dos últimos doze anos), com textos instigantes e,de tal forma são variados os temas, que surpreende sua versatilidade. Ora são romances,sempre com certa tendência policial, não raro com fortes pinceladas de amor e sexo, leve mas provocante. Ora são contos ou poesias, igualmente instigantes, cuja leitura nos prende até a última linha. Ora são textos esotéricos, que ensinam a identificar a morte como uma grande amiga ou são ainda narrações fantasiosas, utilizando passagens bem construídas que, fugindo da vulgaridade, conseguem provocar imagens que nos levam ao início de nossa juventude,envolvendo sereias, sapos cururu, mulas sem cabeça e outros personagens do nosso folclore popular que – não sendo anjos – voam com suas próprias asas, pelo país que construíram eque sabem defender ao longo de perigosas batalhas, contra adversários igualmente surpreendentes, como os “carongrosis”.Neste livro (“Império”), será conveniente estar atento ao índice especial dos personagens e suas respectivas localizações geográficas, para evitar que – em razão do número e de suas nominações no “Território” – o leitor, às vezes, se esqueça da relação existente entre eles.O autor é senhor de um estilo, entre o humor, a crítica e o segredo oculto até o final do texto,que faz inveja. É com essa bagagem que ele se permite nos brindar com uma obra tão versátil e provocante. Tudo, perpassando por interessante análise de costumes, pautada pela sensibilidade e, ao mesmo tempo, por ácida crítica de personalidade que, em momentos apropriados, trazem inteligência convertida em palavra impressa, que provoca o desejo de sempre ver o Autor manejando o teclado de seu “lap-top”, o que faz com grande habilidade.. Leia devagar e com atenção. Você vai se surpreender e gostar muito.

