A redução de tudo à Quantidade é o Sinal do fim dos tempos.
Livro: O Reino da Quantidade e o Sinais dos Tempos Autor: René Guénon Servindo de continuação direta de "Crise do Mundo Moderno", nesta obra o autor aborda as previsões e consequências do pensamento Pragmático/Materialista em que a civilização ocidental percorreu usando como referência o simbolismo dos pólos da Qualidade e da Quantidade. "[...] qualidade pura para a quantidade pura, uma e outra sendo, aliás, os limites exteriores à manifestação, uma além e outra aquém, porque, relativamente às condições especiais do nosso mundo ou do nosso estado de existência, são uma expressão dos dois princípios universais que designamos algures, respectivamente, ESSÊNCIA e SUBSTÂNCIAS, os dois pólos entre as quais se produzem toda e qualquer manifestação [...]" (p. 16) Enquanto o Qualitativo corresponde ao que há de mais puro, sagrado e transcendente, o pólo Quantitativo representa o que há de mais inferior, maculado, corrompido e materialista de todas as coisas. Obedecendo ao princípio de progressiva degenerescência da humanidade, tudo ruma do pólo qualitativo para o quantitativo. É apresentado então as consequências disto nas diversas manifestações da existência e nas ideias de: filosofia, ciência, religião, moeda, ofício e etc. Assim, o autor explica as diversas fases e elementos necessários em que a humanidade passará devido esse processo de degeneração e corrupção, que por fim corresponderia ao fim de um ciclo e por consequência o fim de um mundo como o conhecemos. Carregado de referências do Hinduísmo, Vendantismo, Cristianismo, Filosofia, Simbolismos e etc, o livro se mostra por vezes hermético e denso, por um lado, em determinados pontos (requerendo um bom background) e por outro lado, extremamente "Red Pill" em diversos temas abordados. Com certeza não é um livro fácil, mas de fato muito profundo com análises incríveis e muito interessantes de serem discutidas e debatidas. É um dos livros que mais me "abriu a mente" esse ano. Ainda que, lógico, as "soluções" e posição do autor sejam discutíveis. Não é um livro que recomendaria a leitura a qualquer pessoa. "Os físicos modernos, no seu esforço para reduzir a qualidade à quantidade, chegaram, por uma espécie de lógica do erro, a confundir uma e outra, e a atribuir a própria qualidade à sua matéria, na qual acabam assim por colocar toda a realidade, ou pelo menos tudo o que eles são capazes de reconhecer como realidade, e que constitui o materialismo propriamente dito." (p. 25) "Há pois na redução gradual de todas as coisas ao quantitativo, um ponto a partir do qual essa redução já não tende para a SOLIDIFICAÇÃO, é esse ponto é aquele em que chega a querer reduzir a própria quantidade contínua à quantidade descontínua; os corpos não podem subsistir como tal, e reduzem-se então a uma espécie de poeira ATÔMICA, sem consistência, poder-se-ia, pois, a este respeito, falar numa verdadeira PULVERIZAÇÃO do mundo, o que é evidentemente uma das formas possíveis da dissolução cíclica." (p. 159)


