Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições3
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas134
    • Leitores2515
    • Similares2
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    Mal-entendido em Moscou -

    Simone de Beauvoir

    Record
    2015
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788501104342
    Português Brasileiro
    4
    1125 avaliações
    Leram1584Lendo39Querem879Relendo2Abandonos11Resenhas134
    Favoritos87Desejados879Avaliaram1125

    Um romance inédito no Brasil de Simone de Beauvoir. André e Nicole, dois professores universitários aposentados que sentem o peso da idade, viajam para a União Soviética pela segunda vez na vida. Lá, encontram a filha do primeiro casamento de André, Macha, uma mulher decidida que vive na grande experiência do socialismo do século XX. Assim, inicia-se uma série de mal-entendidos relacionados a questões individuais e coletivas – a não comunicação, a ideia de envelhecer, o amor de longa data, o papel e a identidade da mulher, as expectativas políticas, etc. Mal-entendido em Moscou, que se vale das experiências de Simone de Beauvoir e de seu marido, Jean-Paul Sartre, em viagem à União Soviética, é um tocante relato sobre decepções políticas e sentimentais que lançam uma luz sobre a singularidade de nossa existência.

    Edições (3)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover

    Similares (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (134)Ver mais
    Régis Maz picture
    Régis Maz06/12/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Quando o amor também envelhece

    "Com quarenta e três anos não se tem mais futuro, o que tira todo o charme do presente." Essa frase resume bem sobre o que é Mal-entendido em Moscou, de Simone de Beauvoir. É um livro sobre envelhecer, sobre política, socialismo e capitalismo, mas, sobretudo, sobre as inrealizações que se acumulam com o tempo. Nicole, recém-aposentada, sempre foi uma mulher enérgica e ávida. Agora, tenta se reconhecer na velhice: a mente ainda se imagina jovem, mas o corpo lembra que já não é. A velhice limita o prazer, esfria as paixões, arrefece a vontade de viver. Há uma frase que me marcou: "É preciso se amar um pouco para sentir prazer nos braços de outra pessoa." Como se Beauvoir estivesse nos dizendo que o amor também precisa atravessar esse cansaço do corpo e da alma. André, por sua vez, enfrenta o envelhecer perguntando a si mesmo se foi um bom pai e temendo a hora em que perderá suas paixões. As lembranças se tornam maiores que os planos. É nessa nostalgia que o livro se demora: a sensação de ter atravessado uma linha invisível depois da qual passamos a olhar para trás mais do que para frente. A viagem à Rússia é um ponto de ruptura. Nicole acaba se comparando a outras mulheres que encontra na viagem e começa a se questionar se se deixou ser absorvida pelo casamento, pela vida doméstica e pelas expectativas que não eram só dela. Ela não gosta da forma como o marido e a filha dele a deixam de escanteio quando estão juntos, e isso a faz se sentir "sozinha como uma pedra no deserto". A solidão aparece com força nesse momento. O tédio, os ciúmes, as discussões. Nicole chega a pensar em voltar sozinha para a França. A cumplicidade entre pai e filha a incomoda, mas ela se mantém em silêncio, uma raiva contida que pode explodir a qualquer momento. E, ao mesmo tempo, há aquela indiferença da velhice: a morte já não assusta tanto, as perdas parecem anestesiar. É duro acompanhar esse movimento. O livro também fala de política, de regimes, da estagnação da época. Mas esse pano de fundo nunca rouba o lugar da intimidade: serve como espelho para o mal-entendido maior, o da vida a dois, o do envelhecer lado a lado sem deixar de se ferir. No fim, Nicole e André se reconciliam. O que fica é a imagem de um casal que se ama, mas que se magoa na mesma medida. A autora mostra que envelhecer não torna ninguém melhor; significa apenas continuar vivendo, com os mesmos atritos, as mesmas fragilidades, mas também a mesma necessidade de companhia. F. Scott Fitzgerald dizia: "A vida é um processo de degradação." André rejeita essa visão, mas é difícil não sentir que o livro caminha justamente nesse sentido. A melancolia permeia cada página. E, muitas vezes, tive a sensação de ouvir a própria voz de Beauvoir em Nicole, como se suas inseguranças, seus medos e sua tentativa de dar algum sentido ao presente tivessem vazado para dentro da personagem. Talvez não seja sobre ela, mas é impossível não pensar que seja.

    63 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 1125
    • 5 estrelas28%
    • 4 estrelas43%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas1%
    Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir profile picture

    Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir

    Escritora, intelectual, filósofa, ativista política e teórica social francesa. Influência decisiva para o existencialismo e para o movimento feminista, com seu basilar "O segundo Sexo", foi autora de vasta e eclética obra, de autobiografia a teses filosóficas e políticas.

    80 Livros
    899 Seguidores

    Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir