O Círculo Rubi fecha a série Bloodlines spin-off da minha queridinha Vampire Academy. Publicado aqui no Brasil pela Editora Seguinte - que cedeu este exemplar para resenha -, foi uma despedida digna para todo o legado deixado por essa história.
Esta resenha pode conter spoilers dos outros volumes da série.
Depois de confrontar os alquimistas e ter seu mundo virado do avesso, mais uma vez, Sydney e Adrian precisam lidar com uma crise grandiosa: Jill desapareceu. Levada por alguém que quer fazer mal à coroa Moroi e aos dois, a incerteza de seu paradeiro coloca o pouco de ordem que existia na realidade da dupla em um pandemônio completo.
Ainda resta esperança, no entanto, de que magia possa ajudá-los a encontrá-la. Sydney tem certeza de que, com as bruxas ao seu lado, Jill possa ser resgatada antes que algo terrível aconteça. Adrian, por outro lado, precisa lidar com a própria instabilidade dos seus poderes se quiser um futuro esperançoso.
Bloodlines seguiu um ritmo agradável e sossegado desde o seu princípio até seu fim. Teve seus momentos de ação e tensão, suas reviravoltas absolutamente desesperadoras e confrontos de fazer tremer na base, mas, em suma, sempre foi um livro sobre racionalidade e estratégia, seguindo seus dois personagens principais.
Adrian e Sydney viveram grandes momentos ao longo dos seis volumes. De aliados inesperados até amantes secretos, desafortunados e enfim reunidos - como um casal oficial, finalmente - suas aventuras pelo deserto envolveram vampiros, alquimistas, bruxas e até entidades demoníacas. Diferente da brutalidade e dos conflitos sobre lealdade e confiança que existiam em Vampire Academy, Bloodlines, para mim, sempre foi sobre esperança e união. E O Círculo Rubi finalizou a série usando exatamente esses dois pontos principais.
"Quando me recuperei do susto inicial, me peguei com uma emoção que não sentia desde muito tempo: esperança."
O arco de Sydney manteve o foco na estabilidade e na sua força espiritual; não uma guerreira, mas uma pensadora pronta para os momentos mais grandiosos. Uma alquimista que questionou tudo que conhecia, se voltou contra tudo o que a fizeram acreditar ser certo (e que sofreu muito por isso) finalmente encontrou um ponto de calmaria em sua vida. É maravilhoso ver o quanto Sydney cresceu e se fortificou com o passar dos livros; o quanto amadureceu e entendeu sobre a diversidade do mundo em que vive.
Seus embates nesse livro vêm muito da sua nova faceta confiante e questionadora. Não mais uma vítima acuada ou uma garota amedrontada, mas uma jovem mulher pronta para fazer o que for preciso para proteger o que é seu (seja sua liberdade ou coração).
Adrian, por outro lado, está na corda bamba. Apesar de ter se reunido em definitivo com Sydney e de estar nessa busca incessante pela Jill, seu maior problema reside na própria mente; os poderes do espírito têm seu preço e crescem a cada uso, independente de ser a única chance de garantir a segurança de quem ama. Muitos foram os momentos em que a tensão e a incerteza vividos pelo Adrian passaram para mim, tamanho medo por esse personagem.
"Encarei os pontos de interrogação por um momento, pensando que eles bem que poderiam simbolizar o meu futuro."
O relacionamento dele e da Sydney encontra seu ponto de maior conexão e perfeição em toda série. Assim como os dois, a relação evoluiu e amadureceu e se tornou uma coisa forte e inquebrável, o tipo de amor que ultrapassa barreiras e que bate de frente com qualquer coisa que ouse perturbá-lo.
Os outros personagens como Eddie, Neil, as bruxas, e até os queridinhos e familiares da série VA tiveram momentos importantes e desfechos interessantes como um todo. O foco é total da dupla, mas a existência dos coadjuvantes não gira em torno deles e sim com eles. Todas as cenas de ação e busca e questionamentos envolvem os coadjuvantes, e o fim é satisfatório pra todos eles.
Se eu tenho uma crítica para o livro é só a respeito do fim dele; apesar de ter amado tudo que a Richelle entregou para a série, achei que as últimas trinta páginas entregaram resoluções rápidas e desesperadas demais depois de tanta enrolação com o resto do livro. Poderia ter diminuído um pouco das descrições tediosas na metade para ter focado num desenvolvimento mais gradual para o fim. MAS não é uma problemática tão grande quando você ama a série como eu amo.
O Círculo Rubi foi um final divertido e nostálgico para um universo que esteve comigo por tanto tempo. A despedida soou mais como um "até logo", do tipo que vai ficar comigo para sempre.