“Cidadão N” é um quadrinho nacional de 2015 com poucas páginas (não chegando a 70), publicado pela Editora Veneta. Um trabalho que demonstra sinceridade, feito por alguém que tinha muito a dizer. Uma surpresa! Foi o que me acometeu ao ler a graphic novel do Danyael Lopes (roteiro e arte). Eu comprei sem conhecimento prévio, tanto do autor quanto do quadrinho, e o que mais me chamou a atenção foi o fato dela abordar muita mitologia e ter camadas de narrativa. A primeira se apropriando de conceitos como o do Doppelgänger (lenda alemã em que um ser fantástico passa a apresentar uma cópia idêntica de alguém que ele escolhe ou que passa a seguir). Já a segunda é a criada especialmente para o universo do Cidadão N, partindo de um lugar chamado “Imaginário”, de onde as ideias surgem para serem utilizadas ou não. Euriska é a personificação de uma delas que acaba por ser descartada por um quadrinhista conhecido, ao tentar voltar para casa, ela não encontra mais a passagem e decide pedir ajuda ao Cidadão N, um garoto que vê possibilidades sem fim nos cenários mais desesperançosos. No caminho eles se deparam com várias figuras familiares e representações de personalidades da cultura pop, para contar uma metáfora sobre a beleza do imaginar. É um apanhado de universos fantásticos apresentados de uma maneira peculiar. A construção do universo é quase delirante, o que torna a influência de Neil Gaiman impossível de não ser notada. Os personagens têm um estilo que fica entre o cartum e o realista, o que reforça o contraste entre imaginário e realidade, alternando paletas de cores vivas com outras mais escuras para refletir as emoções e os sentimentos de cada plano. 🎩