"Mesmo quando criança, eu me perguntava quando meu próprio desabrochar acabaria e eu começaria a murchar até não restar nada, isolada em meus aposentos, de onde não retirava nutriente algum e onde nunca podia sentir o sol no rosto."
Poético. Doce. Trágico.
Sensível. Comovente. Delicado.
Tem apenas 111 páginas e ainda assim consegue ser profundo.
Em "A Promessa do Tigre", da talentosa escritora Colleen Houck, é revelada a origem da história dos amados príncipes indianos Ren e Kishan. Com isso, conhecemos, pelo ponto de vista de Yesubai, os acontecimentos que iniciaram a maldição e que levaram às aventuras da fascinante série A Maldição do Tigre.
Com ar de conto de fadas, a trama traçada é delicada e melancólica, os personagens enfrentam diversas dificuldades para só então merecer o tão desejado "felizes para sempre", entretanto, nem tudo acaba em flores. Pelo menos, não do jeito que esperamos ou queremos. Diversas promessas foram feitas e acho que a maioria foi cumprida, principalmente as da deusa Durga. Contudo, há promessas frágeis como vidro e que se estilhaçam no chão antes mesmo de tentarmos cumpri-las. Não podemos prometer o futuro, é algo que está fora do nosso alcance, na minha opinião. É certo que o futuro se tornará presente, mas o futuro sempre estará um passo à frente. Não podemos evitá-lo, não podemos prometê-lo, apenas o aceitar. Certeza de que você já prometeu o seu futuro a alguém e hoje não tem mais essa pessoa. O inevitável futuro é uma promessa quebrável.
Alguns leitores parecem ser indiferentes aos encantos dessa obra, afirmando que esse livro é bem morninho em comparação aos outros da saga, e entendo perfeitamente os motivos apontados. Inclusive, eu também ansiei que o romance entre a Bai e o Kishan fosse mais desenvolvido, ganhando assim mais páginas de profundidade. No entanto, se a autora houvesse optado por essa versão, talvez a pureza e o ar mágico dos contos de fadas se perdesse. Então, ouso dizer que está na medida certa; embora tenha me deixado ansiando por mais, acho que as melhores histórias são as que deixam um gostinho agridoce e que despertam o peso da saudade logo após finalizar a leitura.
Amei conhecer a rainha Deschen, os príncipes se assemelham em muito à mãe, mas queria ter conhecido o pai dos meninos também. Infelizmente, ele aparece pouquíssimas vezes. Sendo assim, a personalidade do rei continua sendo um mistério, só sabemos que ele era perdidamente apaixonado pela sua esposa, o que me lembra Ren com Kelsey. Foi um prazer conhecer também Isha - a ama de leite da Bai. A relação das duas é tocante, ambas dispostas a sacrificar tudo, até mesmo a própria vida, uma pela outra. Aqui, senti como se os personagens borbulhassem, como se fosse água fervendo ou um vulcão prestes a entrar em erupção. Às vezes não são necessárias muitas palavras, as atitudes de cada um costumam revelar segredos que geralmente são trancados a sete chaves no coração.
A princesa Yesubai, apesar de ser filha do temido feiticeiro Lokesh - um homem cruel e ambicioso -, é uma garota extremamente doce, bondosa, forte e corajosa; completamente diferente do que eu esperava. No primeiro livro, a autora retratou-a como se ela fosse manipuladora, pelo menos era isso que eu pensava, não passou uma boa impressão para mim. Mas ainda bem que estava enganada, nem imaginava que ela seria tão apaixonante. Agora que a conheço melhor, finalmente não culpo mais Kishan por ter se apaixonado tão cegamente por ela. Antes, me incomodava o fato de ele ter roubado a prometida do seu irmão, ocasionando assim em um romance proibido. Como Ren é meu protegido, a traição do seu irmão mais novo fez com que eu nutrisse uma antipatia e desconfiança por ele, principalmente depois que percebi que Kishan parecia não se incomodar em repetir os erros do passado. "Quem não aprende com o passado está condenado a repeti-lo", essa é uma das minhas frases favoritas ensinadas pelo meu professor de história, uma lição que deve ser aprendida.
Essa é uma história carregada de amor, sacrifícios, palavras não ditas e lágrimas não derramadas. Tudo aconteceu de forma tão brutal e rápida que só nos restou uma paralisia de choque, um peso no coração e um vazio difícil de ser preenchido, assim como em Romeu e Julieta. Mesmo já conhecendo o trágico final, o desfecho estraçalhou meu coração já tão torturado. Desejei que os personagens remassem contra a maré, contra o destino insensível e implacável, mas parece não haver como fugir do que estamos predestinados. Só me resta acreditar que até mesmo os meros peixinhos, como as adoráveis carpas, realmente ganharão uma recompensa pelos seus esforços, pois isso significa que o mesmo acontecerá com a minha amada Yesubai.
"[...] Como pode ver, qualquer criatura, mesmo tão despretensiosa quanto um peixe, pode se tornar algo poderoso. Quando enfrentam as provações da vida com coragem, todos encontram seu destino."
"Eu mesma me via diante de grandes provações e pensei que, se havia esperança para um mero peixinho, talvez os deuses também estivessem olhando para mim. Talvez, se provasse meu valor, alcançasse a dádiva que buscava."
Em suma, tanto o livro "A Promessa do Tigre" quanto a princesa com olhos cor de lavanda são como lindos botões de rosas em um jardim de tirar o fôlego; nasceu, floresceu, atingiu o ápice de sua beleza para só então murchar e secar, assim como as minhas flores. Toda a saga "A Maldição do Tigre" é linda, arrebatadora e dolorosa, do jeitinho que eu gosto. Lembra as minhas duas histórias favoritas: Aladdin e Romeu e Julieta. Recomendo de coração.
"Assim como as árvores, suas raízes eram profundas, e eu me pegava fantasiando que, se me abraçasse, ele me guardaria em segurança entre seus ramos, escondida do mundo."
"A confiança logo se transformou em cumplicidade, que levou à admiração. Então, antes que eu me desse conta do que acontecera, a admiração se transformou num desejo que era ao mesmo tempo fantástico e terrível, e percebi que estava apaixonada."