Os três ratos de Chantilly

    Alexandre Camanho

    Pulo do Gato
    2015
    56 páginas
    1h 52m
    ISBN-13: 9788564974760
    Português Brasileiro

    Três ratos cegos seguem por uma pequena estrada. Para onde vão? O que procuram? Não sabem. Aceitam o que a vida lhes oferece. Uma velha coruja, porém, ao ver os pobres andarilhos, tão hábeis e conformados com seu destino, coloca um plano em ação. Mas, como diz o ditado, “um dia é da caça e outro do caçador”. E os ratinhos provam que são capazes de enxergar as más intenções melhor do que aqueles que têm boa visão. O pulo do gato: narrativa pitoresca inspirada no conto popular francês Os Três Cegos de Compiègne, cujas personagens são humanas. O autor se vale da proposição do logro e encadeia uma criativa história de esperteza. As ilustrações primorosas em bico de pena transportam o leitor ao contexto medieval da trama. Do que trata o livro: ética, convivência, desigualdades, superação de obstáculos, animais humanizados

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    Elias Flamel07/02/2023Resenhou um livro
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    Essência e se arriscar

    Livro infantis são a junção perfeita entre o narrar e o ilustrar. A partir deste fato a fábula nacional, de Alexandre Camanho, com um coração francês e temas fortes do Brasil merece elogios e também deve ser parabenizada por ter consigo um diferencial Entendo que na arte sequencial as palavras são um complemento ao desenho. Já no livro infantil, as duas andam juntas. No belíssimo "Os três ratos de Chantilly" o narrar com doçura, ao melhor estilo era uma vez, divide espaço com um tom nefasto. Trata-se de uma dose bem moderada, sendo perfeita como uma primeira história mais pesada para um pequeno ou pequena dando os primeiros passos na segunda infância. Este feito é conquistado através das ilustrações e uns detalhes precisos na trama. O trio de ratos de pelo espichado, cegos, com pedaços de lixo consigo e sombras que se misturam a sujeira fogem do clássico infantil onde tudo é belo, pois precisam lidar com a fome. Continuo a citar os personagens e a coruja, o antagonista com traços vilanescos, possui os olhos grandes de um amarelado perverso (no instante que voltei a ser criança com o texto, me encolhi ao gastar tempo com a ilustração do caçador noturno de penas marrons). Dois pontos que combinam com o ar mais maduro da trama onde a pobreza é acentuada para logo depois dar um lugar a um esbanjar e termina com uma lição de moral diferente. A ótima obra de Alexandre Camanho não faz dos ratinhos pobres um grupo de virtuosos e premia pela inteligência em vez de consagrar uma suposta índole intocável. Arte nacional que sabe utilizar a essência das histórias infantis, escolhe o diferente no encerrar e toca em pontos fortes com sutileza. Deve ser lida e aplaudida.

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