Huxley é um dos meus autores favoritos. Este é um de seus livros menos conhecidos e infelizmente ainda não reeditados por aqui, encontrados em sebos ou bibliotecas. A primeira estória de Duas ou três graças aborda as influências boas e más que as pessoas exercem umas sobre as outras. Graça é uma mulher casada, mãe de crianças pequenas, seu marido é um burocrata maçante que aprecia receber conhecidos em portos, em um desses desembarques, o narrador chega na casa de Graça e muda radicalmente a vida dela. Não é exatamente ele que se torna amante, mas que influencia a amiga a rever sua vida. Primeiro Graça se apaixona perdidamente e adquire a personalidade do amante. Os alertas de amigos e do próprio narrador de nada servem para conscientizá-la. Não se trata de condenar Graça como uma Emma Bovary nem como uma bruxa de Salém. "Os moralistas autores de manuais tê-la-iam condenado como viciosa, quando na realidade era simplesmente comovedora e um tanto cômica.'' (página 79). Huxley trata seus personagens não como 100% bons ou ruins, mas como seres humanos passíveis de erros e é esse o encanto e motivo para ler e reler seus livros. Graça erra e pode mudar. O marido dela erra e pode mudar. Sem imposições falsas e frágeis. As outras estórias curtas (Semana Inglesa, O Monóculo, Boa madrinha) tratam de temas como amor, prostituição, dinheiro, capitalismo e crise nas relações familiares na Inglaterra do início do século XX.