Mais uma quadrinização de Hamlet. Das que li é a mais resumida e, contrariando o que imaginava, proporciona leitura envolvente, acirrada nas emoções do livro, explicitando a loucura desenfreada, amarga e psicopata que tomou conta e transformou o príncipe da Dinamarca. Agora entendo porque entre os artistas costumam citar esse papel como o mais consagrador e entre os mais desejados. Não é para menos, Hamlet externa muitos sentimentos diferenciados (ira, melancolia, desespero, tristeza, ironia, loucura, etc e tal) capaz de mudanças rapidamente, e de um jeito excêntrico e extremado. Além de divagações fantásticas.
Não concordo com muitos de seus atos, como na canalhice com a mãe e Ofélia (horrível, brutal, de agir impulsivo, intempestivo, levado por emoções acaloradas como folha no vento) mas não se pode omitir história que instiga posicionamento e questionamento diante de realidade que considera injusta. Matou-lhe a intemperança nesse agir.
A arte é tosca, passando sensação de mal acabada, mas se curti a adaptação, então de alguma forma contribuiu. Os desenhos parecem transmitir vigor (ainda que toscos), lembrando algo viking em alguns momentos, que não tinha visto em outras obras, e o destaque é para a idealização de Hamlet, a mais legal entre as HQs que conferi, com fuça que lembra um Conan enfurecido misturado com Ian Gillan anos 70, ou algo similar.
Bobagens, bobagens, mas curti a leitura por conta disso tudo aí.