Não encontrei a assinatura de quem escreveu sobre o livro na sobrecapa, porém vou citar o que dizem: "...Gourmet é certamente um livro maravilhoso para quem sonha ou planeja ir ao Japão. Talvez devesse ficar na seção de livros de viagem. No entanto, é possivel que o lugar ideal para essa obra seja a seção de poesia. Porque Gourmet é provavelmente a prova definitiva de que estão certos aqueles que dizem que os quadrinhos são a poesia escrita do nosso tempo. Eles recuperam fragmentações, sugestões e silêncios que dificilmente teriam vida na prosa."
Concordo totalmente. São 18 capítulos, em cada um o personagem pede um prato em alguma cidade no Japão. Não sabemos quem ele é e o que faz exatamente. Mas percebe-se que ele gosta de comer bem, que procura um lugar tranquilo para sua refeição, e que gosta de conhecer os temperos locais. Mas nada importa, apenas aquele momento que ele está vivendo e sua percepção dos lugares. Apesar de ser muito estranho, eu gostei bastante, de alguma forma este livro me transportou para aqueles locais. Em um dos capítulos ele não encontra o restaurante que costumava frequentar anos antes e fica muito frustrado... e eu entendo perfeitamente esta sensação! Em vários momentos ele lamenta que o mundo esteja mudando rápido... sua busca por um lugar para comer é quase como uma busca por um refugio.
Também me lembrou de alguma forma as Cidades Invisíveis, do Italo Calvino, que na época que li não gostei muito, mas agora me inspirei a reler. As vezes, esses relatos isolados parece que não nos levam a lugar nenhum, mas tem uma coisa meio contemplativa, algo que faz com que a gente mude o nosso ritmo e pare por um instante, para apreciar melhor as coisas ao nosso redor.