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    A Nova Utopia

    Jerome K. Jerome

    Alessandro Ciapina
    2015
    22 páginas
    44m
    ISBN-10: B00S7LBA1M
    Português Brasileiro
    4.1
    68 avaliações
    Leram92Lendo2Querem49Relendo0Abandonos0Resenhas10
    Favoritos5Desejados49Avaliaram68

    Jerome Klapka Jerome (1859 – 1927) foi um escritor e humorista inglês, mais conhecido por seu livro Three Men in a Boat (1889). A estória curta The New Utopia (1891) pode ser considerada o berço do gênero da literatura que utiliza as distopias como cenário, onde as obras mais conhecidas são 1984 de George Orwell e Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. O primeiro romance distópico – Nós – foi escrito entre 1920 e 1921 pelo escritor russo Yevgeny Zamyatin, e pode-se ver claramente que a inspiração para Nós veio do trabalho de Jerome K. Jerome, assim como 1984 de George Orwell foi fortemente inspirado no trabalho de Zamyatin. A estória começa com um grupo aristocrata “progressista” reunido no Clube Nacional Socialista, onde após um jantar requintado com faisão recheado com trufas, regado com um vinho caríssimo, e excelentes charutos, o grupo de amigos “progressistas” faz uma instrutiva discussão sobre igualdade do homem e a nacionalização do capital. O autor faz uma bem humorada crítica aos “avançados” socialistas, que enquanto pregam a igualdade e divisão da riqueza se refastelam com as melhores comidas e bebidas. O narrador, apesar de não estar muito familiarizado com a retórica socialista, abraça integralmente o que é discutido e também considera que o mundo deveria ser reconstruído segundo essa ótica da igualdade e estatização dos meios de produção. Depois da noitada ele cai esgotado na cama, e leva um susto ao acordar mil anos no futuro, dentro de uma redoma de vidro em um museu. Ele descobre que o deixaram exposto todo esse tempo, apenas para verem até quando ele ficaria dormindo. Um velho cavalheiro gentilmente o acompanha pela cidade, mostrando como o mundo tornou-se uma maravilhosa utopia socialista.

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    INGRID MAYARA ALLEBRANDT picture
    INGRID MAYARA ALLEBRANDT17/08/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A gente ri, mas é sério!

    Na época do Ensino Médio, meus amigos e eu costumávamos ficar horas (ou apenas os minutos do intervalo escolar) pensando na possibilidade de haver um mundo em que todas as pessoas fossem sempre felizes, que não existisse desigualdade social, que todas as pessoas fossem consideradas inteligentes a sua maneira e que coisas banais como beleza e força física não fossem superestimadas. Além disso, demorei a entender o porquê das pessoas glorificarem tanto alguns sobrenomes, menosprezando outros mais comuns no Brasil. Eis que descubro a existência de um livro capaz de me fazer relembrar meu ingênuo passado, e que certamente indicarei aos meus conhecidos. Publicado pela primeira vez em 1891, A Nova Utopia conta a sátira história de um homem que havia se encontrado com os amigos, e após um excelente jantar, fumaram vários charutos e começaram a discutir sobre a vida, criticando o tempo presente e idealizando o futuro. Seus amigos, de maior erudição, discutiam o quanto o mundo seria melhor se houvesse igualdade absoluta entre todas as pessoas. O homem – que nesse conto não foi nomeado – ficou fascinado pelo assunto abordado, mas não teve grande participação na conversa porque precisou trabalhar desde a infância, portanto não teve oportunidade de estudar essas questões. Quando ele foi embora, não conseguiu dormir de imediato porque ainda estava refletindo sobre o que foi dito. Finalmente ao adormecer ele sonha que está em plena Londres do século XXIX (mil anos no futuro). Sem muitas explicações, ele sai da redoma de vidro onde teria estado por mil anos e é recepcionado pelo homem que será seu guia. O guia explica para o “homem recém-chegado” tudo o que acontece naquele mundo. Aos poucos o homem foi informado que os seres humanos daquele tempo futuro acharam um modo de minimizar os efeitos da Natureza, que ainda insistia em produzir pessoas mais fortes, belas e inteligentes do que as outras, sendo necessário moldá-las para que fossem todas iguais, consistindo em procedimentos cirúrgicos. Dentre outras coisas, o homem perguntou se eles podem ler livros e o guia lhe respondeu: “– (...) Perceba, como todos nós vivemos vidas tão perfeitas, e como não existe injustiça, ou pesar, ou alegria, ou esperança, ou amor, ou dor no mundo, e como tudo é tão certo e apropriado, na verdade não existe muito sobre o que escrever (...).” “(...) toda nova arte e literatura foram proibidas, pois tais coisas tendiam a minar os princípios da igualdade. Elas faziam os homens pensarem, e os homens que pensam ficavam mais inteligentes do que os que não desejavam pensar; e aqueles que não desejavam pensar naturalmente se opuseram a isso, e sendo a Maioria, opuseram-se a este propósito.” Recomendo fortemente a leitura desse conto que, apesar de ser clássico, sua leitura é bastante fluida; recomendo também, a quem se interessar, que assista ao vídeo intitulado “Totalitarismo, distopias e utopias”, publicado pelo canal da Carmem Lúcia, no Youtube.

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    Jerome Klapka Jerome profile picture

    Jerome Klapka Jerome

    Jerome Klapka Jerome nasceu em 1859 e faleceu em 1927. Obrigado a trabalhar aos 14 anos por causa da morte de seu pai, Jerome iniciou a carreira como empregado de estradas de ferro. Um ano mais tarde, sua mãe também falece e o deixa sozinho em Londres. Desde cedo ele se interessa por teatro e começa a atuar como figurante nos horários vagos, viajando por toda a Inglaterra. Começa então a escrever e enviar várias colaborações para os jornais. Algumas são aceitas, outras não. Começou a ficar conhecido após a publicação de dois livros que tiveram aceitação razoável On the Stage and Off (No palco e fora dele) e The Brief Career of a Would Be Actor (A breve carreira de um aspirante a ator). Com seu terceiro livro – Idle Thoughts of an Idle Felow (Pensamentos ociosos de um sujeito ocioso) -, o autor alcança uma boa repercussão; torna-se colaborador assíduo da revista Home Chimes e consegue a encenação de uma peça de sua autoria: Barbara. Em 1887 passou a alugar barcos com dois amigos – que formam o trio da obra Três homens e uma canoa, a qual obteve um fulgurante sucesso. As edições se sucederam e logo alcançaram a marca de um milhão de exemplares só na Inglaterra e mais de um milhão nos Estados Unidos, o que fez Jerome sair da obscuridade e se tornar um dos autores mais publicados no mundo. Em 2006 a BBC refez a viagem e transformou-a em uma série com o título de Three men in a boat.

    9 Livros
    1 Seguidor

    Jerome Klapka Jerome