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    até nenhum lugar

    Ademir Assunção

    Patuá
    2015
    97 páginas
    3h 14m
    ISBN-13: 9788582971857
    Português Brasileiro
    3.7
    3 avaliações
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    Resenhas (1)Ver mais
    vivian aurora de moraes bragagnolo picture
    vivian aurora de moraes bragagnolo06/07/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O outro lado: o minimalismo zen de Ademir Assunção

    “até nenhum lugar”, coletânea de poemas de Ademir Assunção que reúne poemas datados desde a década de 1980, impõe-se como o oposto de “Pig Brother”. Ambos acabam de ser lançados pela Editora Patuá (2015), mas, enquanto “Pig Brother” é o horror, a vida mecânica, o submundo, “até nenhum lugar” é o carinho, o cuidado, a atenção delicada do eu lírico para com o mundo natural à sua volta. O primeiro poema já diz muita coisa: “alguém explique como persiste uma memória tão vívida de uma pessoa que já não existe?” A separação, seja ela física ou mental, maravilha e estupefaz pela ausência de uma contraparte. A solidão também é tema de alguns haicais (que não seguem, necessariamente, a métrica e a técnica de Bashô, mas fazem fluir muito de sonorização): “tempo sem tempo na praia deserta só eu e o vento” Mas, se a natureza é tema privilegiado do haicai, uma pitada de intervenção humana não escapa a ele: “chuva no telhado água escorrendo na calha cinza de cigarro” Os poemas de um terceto e um dístico se repetem, como no primeiro mencionado acima, e como este outro, bastante loquaz: “casulo na neblina fina teia azulada primeiro e último voo da borboleta” “até nenhum lugar” tem ainda dois poemas com impressão gráfica mais fraca. Menos tinta: a saber, mais delicadeza, seja a do silêncio da “fumaça de incenso”, seja o daquele que partiu “sem o mínimo alarde”. Entre outros poemas, um deles traz um trocadilho entre “trancos e barrancos” e “tragos e barracos”. O livro é realmente estimulante e, por ser pequeno, pode ser lido várias vezes, sendo que cada leitura confere um sentido a cada poema. E já que estamos falando de “até nenhum lugar”, vale a pena conhecer o haicai que dá título ao livro: “tanto caminhar tantas luas tantos sóis até nenhum lugar” Esse livro, que é o lado zen da moeda que nos é ofertada por Ademir Assunção, parece ter sido montado como um jogo de encaixar, em que cada peça teve o seu devido lugar e uma posição própria. Nenhuma palavra, sonoridade ou insinuação estética é vã – afinal, poemas guardados por tanto tempo, convivendo com os mais atuais, é algo como uma celebração da beleza que se mantém viva, com ou sem muro de Berlim. É por isso que a obra deve nos empurrar para a caminhada até nenhum lugar, porque está no percurso a poesia das nossas vidas, e não na chegada.

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