Théodule Ribot (1839 - 1916), com obras que são um libelo contra a psicologia metafísica e, ao mesmo tempo, instrumento de divulgação das psicologias científicas emergentes ao final do século XIX, cria condições para a consolidação de uma psicologia francesa, cuja característica central será dada por seus estudos que enfatizam a psicopatologia, postulando a possibilidade de estabelecer medições no estudo do fato psíquico sem, contudo, recair no associacionismo e no atomismo. Assim, a enfermidade, por exemplo, pode ser abordada como experimentação, como vivência do indivíduo. O método ribotiano pretende elucidar os mecanismo normais de funcionamento partindo da observação da patologia, considerando-a não como a negação da função normal, mas como degradação dela. A última fase de suas obras se refere à relevância de fatores emocionais e motivacionais no funcionamento psicológico e no desenvolvimento da personalidade. Trata-se, uma vez mais, de uma perspectiva fundante, desta vez do caráter de "psicologia dinâmica" que se fará presente na psicologia francesa. La logique des sentiments (1905) demonstra bem a chamada "crise da Razão" vivida ao final do século XIX. Ribot chamará a atenção para o fato de que, ao contrário do defendido pelo pensamento dominante - existência de uma única lógica racional -, existe uma lógica outra, afetiva. Assim, a personalidade integral do homem é composta pelo intelecto, mas também pelo afeto e a ação. Se a Razão já detém, há tempos, seu espaço acadêmico, este deverá alargar seus horizontes para acomodar essa outra lógica. O livro editado pela EdUERJ é uma homenagem extremamente pertinente a Ribot, já que, além de ser a primeira tradução brasileira de La logique des sentiments, está endo lançada no centenário de sua primeira publicação. Com esta edição, também serão atendidos os historiadores da psicologia brasileira, que passam a ter acesso a uma das fontes primárias que serviram aos pioneiros na constituição de nossa psicologia. Sobretudo, esse texto permite desdobrar uma importante reflexão sobre a história da incorporação do inconsciente ao meio científico, mostrando que, na mesma época em que Freud promovia o inconsciente à categoria central do método psicanalítico, a psicologia francesa também o abordava, através da psicopatologia. Esta, por sinal, vem sendo uma linha de estudo seguida por alguns psicólogos europeus e ainda pouco explorada entre nós. Ana Maria Jacó-Vitela e Denise Barcellos da Rocha Monteiro Ribot fez parte das leituras de Farias Brito, filósofo brasileiro.