O detetive Gurney está de volta e dessa vez com ainda mais ânsia de solucionar casos estranhos e aparentemente inexplicáveis. Detetive aposentado da Divisão de Homicídios da Polícia de Nova York, ele é convidado esporadicamente para fazer consultoria em casos de homícidios que causam alguma dúvida ou que sejam praticamente impossíveis de serem resolvidos.
Kay Spalter está presa, acusada de atirar no próprio marido. Mas Jack Hardwick, não está convencido da culpa da mulher. Ele acha que ela foi vítima de uma grande armação e agora precisa de ajuda para tentar anular o julgamento. Obviamente, a primeira pessoa que Jack pensa é em seu colega Gurney. Após analisar as pastas do processo, Gurney aceita prestar assessoria neste caso, mas como era de se esperar, ele não se contenta apenas em encontrar irregularidades no processo. Ele agora quer descobrir todos os detalhes do crime.
As divergências entre os novos fatos apurados e os que constam no relatório policial é impressionante. Muitas pessoas que teriam motivos para realmente terem contratado um atirador para acabar com a vida de Carl Spalter, nem sequer se tornaram suspeitas na investigação. Durante essas investigações aprofundadas no caso, Gurney acaba chegando a um suspeito inusitado. Uma pessoa com estatura de uma criança, não se consegue definir exatamente se é homem ou mulher, apelidado de Peter Pan. Conhecido no mundo do crime por sua crueldade e impiedade.
Peter Pan tem que morrer é o terceiro livro do autor John Verdon que leio. A narrativa tem seus altos e baixos, com momentos de ritmo intenso e outros quase se arrastando. Adoro o jeito como o detetive Gurney vai se afundando na investigação e só consegue submergir quando desvenda todos os mistérios. A trama em si é muito boa e me fez focar em um único culpado, o que mostrou que no fim eu estava completamente errada. O personagem Peter Pan é incrível, sua história de vida e seus métodos de extermínio são únicos. Uma das cenas de perseguição deste livro é fantástica, de perder o fôlego!
Para citar um defeito em todos os livro do autor que li, é o modo como o autor explora o lado pessoal do personagem. Na verdade eu gosto muito do jeito sisudo e direto do detetive Gurney, o que eu não suporto é a esposa dele, Madeleine. Ela é extremamente chata e irritante, boazinha demais pro meu gosto, isso me irrita profundamente. Chega até ser divertido ver ele se irritando com ela, mas fingindo que está tudo bem.
Enfim, é um livro policial muito bom, com um vilão inesquecível e com uma cena em um parque de diversões digna de Stephen King. Este é o quarto livro da série do detetive Dave Gurney, todos são histórias independentes, mas que trazem um gancho do livro anterior. Por isso recomendo que leia-os na ordem correta. Eu só não li “Não brinque com fogo” e senti algum desconforto por em alguns momentos não saber do que estavam falando. Mas nada muito relevante que pudesse interferir no decorrer da história. Indico para fãs de Thriller Policial. Leiam!