Espectros de mulheres escapam-me da mente - estranhos seres de signos imaginários. Eu as recebo na minha torre sem janela, da qual sou prisioneiro e onde cabem minha loucura e minha solidão. É uma torre ensimesmada, recolhida na própria sombra, despojada como um convento e cujo requinte único é o leito fosforescente no qual apuro o marfim dos meus delírios. As mulheres, atordoantes e sucessivas, aparecem numa espiral de alucinações. Umas passam através da porta - o que não é problema para fantasmas - e assim saem; outras vão-se pela escada em caracol, no canto da torre. A escada leva, possivelmente, à coroa da torre ou a andares que se interligam até o infinito. Que estranho poder me impede de ir a este cimo pela escada em caracol? Algumas vezes chego a pensar que já estive nessas partes superiores, se elas existem. Mas sei, verdadeiramente, que nunca estive lá e que, quando isto acontecer, terei morrido.
Torre do Delírio -
Luiz Guilherme Santos Neves
SPDC-UFES
1992
79 páginas
2h 38m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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