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    O pêndulo de Euclides -

    Aleilton Fonseca

    Bertrand Brasil
    2009
    210 páginas
    7h 0m
    ISBN-13: 9788528614022
    Português Brasileiro
    4
    22 avaliações
    Leram53Lendo20Querem67Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos2Desejados67Avaliaram22

    Com a região nordestina da Guerra de Canudos como cenário, O pêndulo de Euclides, novo romance do escritor baiano, apresenta um debate inteligente e instigante sobre um dos mais sangrentos conflitos brasileiros. Tudo retratado, de maneira leve e encadeada, pela visão de um professor baiano, um professor francês e um poeta. Mas o que há em comum entre esses personagens? Aparentemente nada. Mas, a cada página do romance, a relação entre eles fica mais nítida para o leitor: há todo um clima de encanto e curiosidade pela Guerra de Canudos e tudo que a cerca. No ano de 2003, um professor baiano apaixonado pelo livro Os sertões, de Euclides da Cunha, decide conhecer a famosa região de Monte Santo a fim de escrever seu próprio livro. Em sua jornada, ele terá a companhia do francês Dominique e do poeta Alex. Juntos, 106 anos após a quarta batalha entre sertanejos e soldados republicanos, e o extermínio dos seguidores de Antonio Conselheiro, eles partem para uma viagem no tempo. Ao chegar a Monte Santo, o primeiro sentimento é de espanto cultural. O comércio é informal, as pessoas são extremamente simples e amistosas, e tudo gira em torno do mito de Antonio Conselheiro. Com o passar dos dias, o doutor começa a encantar-se com as informações que recebe dos nativos principalmente, as conseguidas nos bate-papos com seu Ozébio, um idoso misterioso e conhecedor profundo de todos os detalhes do conflito. Com uma narrativa surpreendente, ao reproduzir passagens de Os sertões em seus diálogos, O pêndulo de Euclides provoca uma reflexão sobre o que realmente aconteceu no sertão nordestino no fim do século 19. Uma aula sobre as pessoas que lutaram e o cotidiano de suas vidas sob a tutela de Conselheiro.

    Resenhas (1)Ver mais
    Gildeone dos Santos Oliveira @gilliteratura picture
    Gildeone dos Santos Oliveira @gilliteratura02/01/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    “O Pêndulo de Euclides”: uma lírica voz do sertão.

    “O Pêndulo de Euclides”: uma lírica voz do sertão. Uma prosa lírica com cheiro e sabor de sertão é a definição certa para o romance O Pêndulo de Euclides do ficcionista, poeta, ensaísta e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS – Aleilton Fonseca, que já publicou poesia e os livros de contos Jaú dos bois e outros contos, O desterro dos mortos e O canto de Alvorada. Além de se destacar como ensaísta, com publicações em revistas, jornais e diversas coletâneas. A nova obra do escritor, que homenageia o centenário de morte do escritor Euclides da Cunha, segue o caminho de seu antecessor Nhô Guimarães: romance-homenagem a Guimarães Rosa e se mostra como um texto de leveza singular e de intensa relação com o espaço sertanejo. A narrativa inicia quando o narrador principal da história, um professor, intrigado com uma palestra que ouvira a respeito de Canudos, se questiona: será que Canudos é um tema esgotado? Para tirar a prova dessa questão ele parte em viagem para a cidade de Canudos acompanhado de dois amigos o poeta Alex e o francês Dominique, professor de língua portuguesa nos arredores de Paris e “admirador da nossa cultura” (p. 17). Para contar a aventura dos três amigos, apaixonados pela história de Belo Monte, o livro é dividido em oito partes com diversos capítulos que tecem um caloroso debate sobre o texto e as posições tomadas pelo escritor Euclides da Cunha a respeito da Guerra de Canudos em seu livro Os Sertões. A viagem pelas veredas do sertão euclidiano é encadeada por uma prosa lírica que une argumentações concisas e bem elaboradas com diálogos intensos em ensaística. Em meio ao colóquio sobre as memórias de Belo Monte, as vozes sertanejas aparecem na lembrança dos Fogos da Guerra e na intensa prosa do forte sertanejo Seu Ozébio. Um homem sábio e astuto em retórica que revela grandes segredos durante a narrativa, confirmando que as heranças da batalha estão vivas e ainda pulsam no sangue de todo povo do sertão mundo, pois “o sertão é um modo de ser, de pensar, de sentir e de viver” (p. 207). Outra grande sacada do texto acontece quando o narrador se depara entrevistando Euclides da Cunha. A união dos fatos: os debates entre os três amigos, as reveladoras conversas com seu Ozébio, o delírio insone, a arguta e nostálgica observação do narrador sobre a paisagem árida do sertão faz o romance de Aleilton despertar a voz lírica do espaço que transita entre o poético e o real, pela voz pendular da memória que estabelece a busca da identidade. Por fim, O Auto do Belo Monte apresenta “sua missão indelével e incomensurável” (p. 186) no julgamento da Guerra e de seus desdobramentos. Nesse momento a narrativa abre espaço para a voz de personagens surpreendentes. Ao final do texto o narrador (re)descobre suas raízes sertanejas e se ouve novamente a voz do sertão a pendular: “O sertão vai virar cidade e a cidade vai virar sertão” (p. 207). A narrativa se fecha em páginas cheias de cantorias e sabores para abrir-se aos olhares de cada leitor e ratificar que as vozes dos sertões estão a cantar na consciência não só da venerada e “vetusta Senhora” (p.186), mas em cada um de nós apreciadores da história e da literatura, no grande palco chamado de vida. FONSECA, Aleilton. O Pêndulo de Euclides. Rio de Janeiro. Bertrand Brasil, 2009. Texto completo disponivel em:http://www.gilsantoslinguagens.blogspot.com/

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    Aleilton Santana da Fonseca profile picture

    Aleilton Santana da Fonseca

    Aleilton Fonseca nasceu em Itamirim, hoje Firmino Alves, Bahia. É poeta, ficcionista, ensaísta e professor universitário. Em 1977, começa a publicar contos e poemas no Jornal da Bahia, de Salvador, tendo vencido 3 vezes o seu Concurso Permanente de Contos. Publica também no suplemento A Tarde/Novela, do jornal A Tarde. Em Ilhéus passa a assinar a coluna "Entre Aspas", no Jornal da Manhã. Ainda neste ano, vence um prêmio de contos da Editora Grafipar, do Paraná, além de outros locais. Em 1979, ingressa no curso de Letras da UFBA. Organiza seu primeiro livro de poemas, que recebe Menção Honrosa no concurso Prêmios Literários Universidade Federal da Bahia. Em 1984 ingressa, como professor, no curso de Letras da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, transferindo-se para a cidade de Vitória da Conquista. Publica o livro de poemas, O espelho da consciência. Em 1988, especializa-se em Literatura brasileira, ao ingressar no Mestrado em Letras, na Universidade Federal da Paraíba. Em 1992 defende tese de mestrado, sobre música e literatura romântica. Em 1997, defende a tese de doutorado intitulada: “A poesia da cidade: Imagens urbanas em Mário de Andrade”, que sairá em livro proximamente. Ainda em 1996 retorna a Salvador, onde fixa residência. Concorre ao "Prêmios Culturais de Literatura" da Fundação Cultural do Estado da Bahia, com o livro Jaú dos Bois, que fica entre os vencedores (3o Lugar) e é publicado pela Relume Dumará, em 1997. Em 1998, funda, em parceria com Carlos Ribeiro e outros escritores, Iararana – Revista de arte, crítica e literatura, periódico de divulgação da geração 80. Em 1999, transfere-se para a Universidade Estadual de Feira de Santana, integrando-se ao grupo fundador do curso de Pós-Graduação em Literatura e Diversidade Cultural (PPgLDC), tendo já orientado várias dissertações concluídas. Em 2003 leciona, como professor convidado, na Universidade de Artois (França). Neste ano e nos seguintes faz palestras nas Universidades: Sorbonne Nouvelle, Nanterre, Artois, Rennes, Toulouse Le Mirail (França) e ELTE (Budapeste). Tem participado de diversos eventos universitários e culturais em vários estados do país. Em 2001 publica o livro de contos O desterro dos mortos. Nesse ano recebeu o Prêmio Nacional Herberto Sales – Contos, da academia de Letras da Bahia, com o livro O canto de Alvorada, publicado em 2003,com 2ª edição em 2004, pela Editora José Olympio. Em 2005 co-organiza (com o escritor Cyro de Mattos), o livro O triunfo de Sosígenes Costa: estudos, depoimentos, antologia (Ilhéus: Editus; Feira de Santana, UEFS Editora, 2005.), que recebeu o Prêmio Marcos Almir Madeira 2005, da União Brasileira de Escritores-RJ. Em 2009 completou 50 anos e foi homenageado pelo Lycée des Arènes, em Toulouse-França, com uma exposição de trabalhos de alunos sobre seu livro Les marques du feu. Na Bahia foi homenageado pelo IL-UFBA. Neste mesmo ano, seu romance Nhô Guimarães foi adaptado para o teatro e encenado em Salvador e outras cidades. É correspondente da revista francesa Latitudes: cahiers lusophones. Desde 2005, pertence à Academia de Letras da Bahia, ocupando a cadeira nº 20. É membro da UBE-São Paulo e do PEN Clube do Brasil.

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    Bahia, Brasil

    Aleilton Santana da Fonseca