Deuses - Ladrões

    Sales rodrigues

    Deuses
    2015
    177 páginas
    5h 54m
    ISBN-13: 9788566754605
    Português Brasileiro

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    Danilo Vaz03/01/2016Resenhou um livro
    1 (Ruim)

    Não vale a pena ler

    Bem, eu não sou de desistir fácil de um livro. Posso até demorar para ler livros que não me despertem coisas boas, como foi com o Código Élfico. Mas o Irmandade de Sangue eu quis terminar de ler o quanto antes para me ver livre da história como um todo. Não quero ser injusto, sei o quanto é difícil publicar um livro no Brasil e o quanto muitos escritores passam a vida frustrados por não poderem lançar a sua obra. E por isso mesmo acho que quando se lança um livro, você quer mostrar o seu melhor, todo o seu potencial, toda sua qualidade literária. E não é o que se vê aqui. Sim, existem muitos livros ruins no mundo todo, na grande maioria o que é ruim é a história ou um personagem específico. No Irmandade de Sangue a qualidade é péssima desde a escrita, a revisão de texto, a ilustração, até o enredo como um todo. O primeiro capítulo é uma obra de arte no quesito: "O que não fazer quando escrever um livro". Não é possível imaginar o local onde se passa a história, muito menos imaginar os personagens. A descrição de ambos é horrível, os escritores dão mais ênfase em descrever jardins e o clima do que descrever os personagens e a ambientação geral. Joga-se muitas palavras aleatórias tentando estilizar o texto, mas não trazem significado algum. Ao ler o primeiro capítulo eu senti uma vontade enorme de abandonar o livro logo nas 2 primeiras páginas. Juro, na segunda página já aconteceram tantas coisas em poucas linhas e mesmo assim eu não conseguia sequer me situar direito na história. Acontecimentos que os escritores deixam claro que são importantes ao leitor, mas eles mesmo os descrevem em 1 frase curta, sem maiores explicações e sem o cuidado de tornar verossímil. Fora isso, muitos erros de português, erros amadores e que por mais que os dois escritores pudessem ter errado, era papel do revisor do texto apontar tais erros. Mas não, percebe-se que não houve revisão, pois nas primeiras páginas já nos deparamos com erros imperdoáveis para um livro. Erros como "suar" e "soar". Aqueles tipos de erros que fazem os olhos sangrarem. Passadas mais de 40 páginas eu ainda estava me remoendo para conseguir me concentrar no livro e imaginar as cenas. Mas era tudo muito superficial. Intocável, inverossímil. Não o bastante a "referência" (que mais me pareceu uma cópia) ao Smeagol do Tolkien com o personagem Sínon é de enlouquecer (negativamente), como se não bastasse um dos protagonistas se chamar HENDALF. Isso não é uma simples referência, é uma cópia muito triste. Eis o seguinte diálogo entre o Sínon e Hendalf: "- Senhor, nós vai segui-lo até a morte - disse Sínon". Assim como Smeagol costuma falar com Bilbo ou Frodo. Encontrei outro personagem de Tolkien no Irmandade de Sangue: Samuel. Samuel aquele gordinho amigo do Frodo? Pois é, aqui ele também existe e assim como o Samuel de Tolkien ele é gordinho e um companheiro inseparável de Montruín. Sério, referências sempre vão existir, seja no estilo de escrever, no espaço ou nos personagens, mas isso deve ser sutil e implícito, deve ser usado para nortear a sua originalidade e não tomar posse de algo que já foi criado. Isso não é criar um personagem, é copiá-lo. Fora isso em diversas páginas é citado a dor e pesar de Hendalf ao se lembrar do rosto de sua mãe. Me pergunto como isso seria possível se ele e seu irmão foram lançados ao Rio Monge por sua mãe quando eles ainda eram bebês? Teriam os vampiros uma memória tão boa assim? Por falar em vampiros, parece que somente quando estão narrando sobre o Montruín é que surge a seguinte descoberta: Os vampiros precisam tomar uma poção mágica para que possam ficar no sol, caso contrário eles queimam. Porém quando é narrada a história do Hendalf ou de qualquer outro vampiro, em nenhum momento ele bebe a tal poção ou é citado algo dos vampiros se queimarem com o sol. Em algum momento do livro é citado que os Mephits (raça a qual pertence o Sínon e que não consigo descrever como ele é, algo como um morcegão gigante que fala? Não dá pra saber) são originários do Egito. Nesse momento minha cabeça pifou. Voltei ao mapa que existe antes do primeiro capítulo a fim de descobrir se ali situava-se o Egito e eu não havia percebido. Não, o Egito não existe no mapa. E eu fiquei perdido: Aqui é uma outra Terra com o Egito? Ou é a mesma Terra em eras passadas com o Egito? Ou é a mesma Terra atual com o Egito? Não sei dizer, o escritor devia me guiar. Mas nenhuma outra explicação é dada. Somente faz-se essa referência e nada mais é citado sobre isso. Simplesmente se perde. E por falar sem se perder...os escritores esqueceram de descrever os passos de um personagem. Barrabás estava na casa dos Scott, Carlos, pai de Samuel, chamou Montruín para conversar. Após a conversa Montruín percebeu que teria que sair naquele instante para poder chegar à arena, foi então que ele e toda a família Scott fizeram as malas e saíram. E o Barrabás? Não sei. Esqueceram do cara. Esqueceram de dizer o que é que o personagem fez. Fugiu e ninguém (nem mesmo o sobrinho que estava tão ligado a ele) percebeu? Foi junto e o escritor esqueceu de falar? Bom, mais de 20 páginas depois Barrabás aparece ao lado de Menelau e Montruín o vê e pergunta algo do tipo: "Onde você se meteu? Você saiu e depois não fiquei mais sabendo de você". Bom, somente Montruín viu o cara saindo, mas os escritores não. Esqueceram de descrever no livro pra onde o cara foi e do nada trazem o cara de volta como se todos soubessem que ele tinha saído. Durante muitas páginas eu fiquei esperando o Montruín citar algo sobre o Barrabás...mas nada. Falando da família Scott: Existe o pai Carlos e o filho Charles. Sério. Quanto mais você vai lendo, mais difícil vai ficando. Sem contar que a família Scott usa um anel que nem se quer é explicado o que exatamente é aquele anel e o que ele faz. Eu sei, poderia ser um mistério que os escritores trariam a tona depois. Mas não, nada nem implícito indica algo. Simplesmente diz-se que um anel faz X e pronto. Fiquei abismado com a quantidade de personagens da bíblia: Josué, Miguel, Barrabás etc. E a quantidade de personagens cujo nome começa com a letra M: Miguel, Menelau, Morfeu, Montruín. Fora a raça Mephit e os locais Morssinon, Magnor. Enfim, eu sei, não é motivo pra uma obra ser péssima mas no conjunto da obra isso ASSOMA sobre o fato. Para entender o por quê eu usei o ASSOMA, preciso explicar que durante a leitura você percebe que os escritores possuem um curto vocabulário, pois as palavras se repetem muito. Não são anáforas, são palavras repetidas incansavelmente. Algumas palavras eu lembro de cabeça, juro: assomar, crispar, zonzo, ofegou. São palavras que você encontra mais de 3 vezes no mesmo parágrafo durante todo o livro. Outra coisa que me deixou muito incomodado é que nas narrações os escritores usam excessivamente e de forma negligente a exclamação. Tirando as narrações que se referem a perguntas, todas as narrações fazem uso de exclamações. Mesmo nos casos em que não se faz necessário. É algo horrível você ficar lendo todas as narrações de forma entusiasmada por conta daquele ponto de exclamação que toda hora está ali. Além disso existem muitas gafes, muitas frases horripilantes, por exemplo: "Num desces deslizes". Sim, "desses" virou "desces". O correto seria: "Num desses deslizes". E existem também as frases que me fariam rir se não fosse trágico, como quando Montruín reencontra seu pai e lhe dá um abraço e o narrador nos diz que: "Ele tinha um cheiro de pai". Eu achei essa frase horrível e sem sentido algum, mas nesse caso é questão de gosto. Porém, todo o resto técnico está aí para provar que essa é uma obra que não vale a pena ler AINDA. Digo ainda porque eu sugiro fortemente aos escritores revisarem seu texto, melhorarem as explicações e as descrições, melhorarem as narrativas, corrigir os erros e os furos na história, para aí sim publicar novamente o livro. Quem sabe dessa maneira possamos ler algo com qualidade.

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