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    A comédia mundana - três novelas policiais sacanas

    Luiz Biajoni

    Chiado Editora
    2014
    514 páginas
    17h 8m
    ISBN-13: 9789895116423
    Português Brasileiro
    4.2
    33 avaliações
    Leram41Lendo2Querem55Relendo0Abandonos1Resenhas11
    Favoritos1Desejados55Avaliaram33

    "As três novelas de A comédia mundana começam da mesma maneira: alguém vai operar. As personagens de Biajoni, que são dignas do melhor Bukowski, operam em nós da mesma maneira que as personagens nos romances de Henry Miller (mas como se fossem escritos por um Chandler brasileiro): expondo-se, abertas, em carne viva, como a ferida humana, carregadas de momentos viscerais e hilariantes." João Tordo, autor de Biografia Involuntária dos Amantes.

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    Waldir Figueiredo Reccanello picture
    Waldir Figueiredo Reccanello19/05/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    "Boquete – uma novela vermelha" é o encerramento da trilogia “A Comédia Mundana” e, como nas obras anteriores ("Sexo Anal - uma novela marrom" e "Bucet a - uma novela cor-de-rosa"), nele o autor continua explorando com ironia, acidez e uma boa dose de escárnio a hipocrisia da sociedade brasileira, especialmente aquela que se esconde atrás de véus de moralidade. Avançando cerca de vinte anos em relação às tramas dos livros anteriores, a história se passa na mesma cidade fictícia do interior paulista, onde as figuras conhecidas de nossa realidade ganham contornos exagerados, mas nunca inverossímeis: evangélicos oportunistas, maçons influentes, políticos sujos, traficantes bem relacionados e cidadãos que fingem pureza enquanto negociam desejos por baixo dos panos. O autor não poupa o leitor: a linguagem é direta, os diálogos são afiados e a sexualidade é tratada de forma aberta e muitas vezes desconfortável. Mas não se trata de erotismo gratuito: o sexo aqui é simbólico - um espelho distorcido, mas revelador, de poder, desejo e frustração, com momentos em que se percebe que o hímen de uma jovem vale tanto quanto um sobrenome antigo, o que diz muito sobre os valores daquela (e da nossa) sociedade construída sobre aparências. Se nas histórias anteriores ainda havia espaço para algum tipo de redenção - ou ao menos uma fagulha de humanidade - neste livro (a mais amarga das três novelas, carregada de um desencanto mais explícito) o autor parece mais disposto a mostrar o desfecho inevitável de um sistema corroído, com personagens se agarrando a crenças, sonhos e ilusões, mesmo que, ao final, somente sobre um mundo em que felicidade e liberdade são moedas de troca, não conquistas legítimas. É curioso perceber que, apesar dos títulos provocativos e da carga de sexualidade explícita, o autor está mais interessado em fazer uma crítica moral do que em chocar e, no fim das contas, o livro não é só sobre sexo, poder ou crime, mas sobre a maneira como a sociedade mascara sua própria decadência e pune quem ousa viver fora da cartilha. Típica leitura que pode incomodar e, que justamente por isso, vale a pena!

    6 curtidas

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    4.2 / 33
    • 5 estrelas45%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas18%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas3%
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    Luiz Biajoni

    Jornalista e escritor, escreve livros policiais de amor, conforme gosta de definir sua literatura.

    10 Livros
    17 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Luiz Biajoni