O livro tem um tom de relato um pouco forçado, misturando tons de crônica, com um toque de auto-ajuda às avessas. Se o livro fosse organizado com mais profundidade e mais humor catalogado, seria menos pior. Uma saída inteligente talvez seria construir crônicas com protagonistas de diferentes personalidades.
A autora tentou jogar tudo que é de 'feio' em uma só protagonista, a tal da Ju, que é retratada como uma moça de classe social baixa, meio burra, bastante gorda e feia. Mesmo depois de parágrafos e mais parágrafos de auto-depreciação, pede-se que que a autora descreva como a Ju é de verdade, porque não se sabe se a coitada é feia mesmo, ou se é ironicamente calejada pela vida.
As figuras masculinas também são exageradas. Todos os homens são meio brutos, chulos, também de classe social baixa e sem muita profundidade. Tem um índio, um escoteiro, um porteiro, um colega de escola, e bom, todos eles parecem ser o mesmo.
A própria Ju não tem profundidade. Como eu disse antes, ela é um apanhado de mulheres feias, jogadas num liquidificador e por isso ela não é bem definida, não tem personalidade e não parece lá muito real (até porque a coitada é sacaneada demais pra ser real). Por mais que ela "sofra" com seus relacionamentos, não se veem reclamações ou dilemas mais profundos do que "comi jujuba, sou gorda, ele é feio, mas foda-se, vou dar".
Os relacionamentos também são pouco explorados. De novo, se fossem múltiplas protagonistas de contos separados, ficaria mais fácil abordar "a mulher feia", sem precisar que ela seja tão feia ou fail quanto a Ju.
É claro que a leitura até rende umas risadas, e algumas frases da autora são muito familiares no quesito "perdi minha auto-estima no lixo", mas eu esperava um livro mais bem trabalhado.