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    Revolta e Melancolia (Marxismo e Literatura) - O Romantismo na Contramão da Modernidade

    Michael Löwy

    Boitempo
    2015
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9788575594377
    Português Brasileiro
    4.2
    19 avaliações
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    Revolta e melancolia, dos sociólogos Michael Löwy e Robert Sayre, traz uma análise da visão social de mundo romântica. Para eles, mais do que uma corrente artística europeia do começo do século XIX, o romantismo expressa uma visão de mundo complexa que persiste até nossos dias, em toda parte, como resposta ao modo de vida da sociedade capitalista. Caracterizado pela convicção dolorosa e melancólica de que o presente perdeu certos valores humanos essenciais, esse movimento representa uma modalidade particular de (auto)crítica do mundo moderno, a partir de seu âmago. Com grande repercussão internacional, em especial na França, onde foi originalmente publicado, Revolta e melancolia se tornou o principal ponto de partida para debates sobre a importância do “espírito” do romantismo em nosso tempo. Considerado um movimento abrangente e atemporal, o romantismo transpôs a literatura e as artes plásticas e se manifestou em diversas áreas da sociedade, como a filosofia e a política. Em sua abordagem, Löwy e Sayre mostram como essa forma de ver o mundo influencia a produção social contemporânea e constitui um questionamento profundo da economia de mercado e da sociedade dominada por ela. A obra perscruta a relação ambígua entre romantismo e Revolução Francesa e entre romantismo e Revolução Industrial e identifica dimensões românticas no Maio de 1968; na crítica à cultura de massa; nos movimentos sociais atuais; em correntes políticas e intelectuais; e também nas obras de autores os mais diversos, de diferentes momentos e lugares, de Schelling a Tönnies, de Burke a Weber, de Dickens a Thomas Mann, de Balzac a Tolstói, de Victor Hugo a José Martí, de Bakunin a Rosa Luxemburgo, Marx e Engels. Ao longo de sete capítulos, Löwy e Sayre abordam mais de dois séculos da cultura ocidental para analisar o romantismo como principal expressão cultural da revolução – contra o sistema, o excesso de materialismo, a dominação burocrática – e da melancolia. A partir dessa proposta ousada e inovadora, o romantismo revela toda a sua força crítica e lucidez diante das ideologias do progresso. Em uma sociedade baseada na padronização e nas relações mercantilizadas, o romantismo representa a revolta da subjetividade e da afetividade reprimidas, canalizadas e deformadas. “O capitalismo suscita indivíduos independentes para cumprir funções socioeconômicas; mas quando esses indivíduos se transformam em individualidades subjetivas, explorando e desenvolvendo seu mundo interior, seus sentimentos particulares, entram em contradição com um universo baseado na estandardização. E quando reivindicam o livre trâmite de sua faculdade de imaginação, esbarram na extrema platitude mercantil do mundo”, escrevem os sociólogos. Ao valorizar, ao mesmo tempo, a comunidade e a individualidade; o passado pré-capitalista e um futuro que retome os valores sufocados pela modernidade, o romantismo revela seus paradoxos, mas também a possibilidade de pensar a construção de um novo tipo de sociedade. Assim, a autocrítica romântica corresponde a um “salto qualitativo” no desenvolvimento histórico das sociedades, o aparecimento de uma nova ordem em contraste nítido com tudo o que a precedeu. Nos termos dos autores, “a utopia ou será romântica ou não será”.

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    Romeu Felix19/02/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Fiz o fichamento sobre esta obra, a quem interessar:

    O livro "Revolta e Melancolia: O Romantismo na contramão da Modernidade" de Michael Löwy é uma análise crítica do movimento literário e artístico conhecido como Romantismo. O autor argumenta que o Romantismo foi uma forma de reação contra a modernidade e sua racionalidade instrumental, buscando resgatar valores humanos que estavam sendo perdidos na sociedade industrial e capitalista. O livro está dividido em cinco partes. A primeira parte, intitulada "Os Fundamentos Filosóficos do Romantismo", apresenta uma discussão sobre as raízes filosóficas do movimento, incluindo o pensamento de Rousseau e o idealismo alemão. A segunda parte, "O Romantismo e a Revolução", aborda a relação entre o Romantismo e os movimentos revolucionários, especialmente a Revolução Francesa. A terceira parte, "O Romantismo e a Cultura Popular", analisa a relação do movimento com a cultura popular, incluindo a música, a literatura e a religiosidade popular. A quarta parte, "A Melancolia Romântica", discute a natureza da melancolia e como ela é expressa na arte e na literatura românticas. Finalmente, a quinta parte, "Conclusão", apresenta uma avaliação geral do movimento e suas contribuições para a cultura e a sociedade. O autor argumenta que o Romantismo foi uma tentativa de resistir à lógica da modernidade e da razão instrumental, buscando resgatar valores humanos como a emoção, a imaginação e a criatividade. Ao mesmo tempo, o movimento também expressou uma profunda crítica à sociedade industrial e capitalista, denunciando suas injustiças e desigualdades. Löwy também destaca a relação do Romantismo com os movimentos revolucionários da época, especialmente a Revolução Francesa. Ele argumenta que o movimento romântico foi influenciado pela ideia de que a arte e a literatura poderiam ser usadas para transformar a sociedade, e que os artistas e escritores tinham um papel importante a desempenhar nessa transformação. O livro é uma obra importante para entender o movimento romântico e suas relações com a sociedade e a cultura da época. A análise crítica de Michael Löwy contribui para uma compreensão mais profunda do Romantismo e de sua importância histórica e cultural. Por: Romeu Felix Menin Junior.

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    Michael Löwy

    Michael Löwy (São Paulo, 6 de maio de 1938) é um pensador marxista brasileiro radicado na França, onde trabalha como diretor de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique. É um relevante estudioso do marxismo, com pesquisas sobre as obras de Karl Marx, Leon Trótski, Rosa Luxemburgo, Georg Lukács, Lucien Goldmann e Walter Benjamin.

    39 Livros
    35 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Michael Löwy