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    A conjura -

    José Eduardo Agualusa

    Gryphus Editora
    2009
    190 páginas
    6h 20m
    ISBN-13: 9788560610228
    Português Brasileiro
    3.7
    55 avaliações
    Leram84Lendo6Querem86Relendo0Abandonos4Resenhas4
    Favoritos1Desejados86Avaliaram55

    Publicado originalmente em Portugal, o livro A Conjura ganha agora sua primeira edição brasileira. Em seis capítulos, a obra narra as histórias dos habitantes da velha cidade de São Paulo da Assunção de Luanda, entre os anos de 1880 e 1911. Em um contexto marcado por turbulentas transformações, essa colônia portuguesa era o destino de degredados, ladrões e assassinos da pior espécie. Nessa época, quando nas ruas de Luanda se cruzavam as tipoias dos nobres senhores africanos com as caravanas de escravos angolanos, e os condenados vindos do Reino de Portugal se entranhavam pelos matos em busca de fortuna, estórias se passaram que a História não guardou. Estórias de amores e prodígios que ainda sobrevivem em antigas canções. Estórias de personagens como o barbeiro Jerónimo Caninguili e a jovem Alice, cujas desventuras acompanhamos até o fatídico 16 de junho de 1911, dia da frustrada tentativa de tornar Angola independente de Portugal.

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    Maria Inês Carreira picture
    Maria Inês Carreira08/11/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Crítica: 'A Conjura' de José Eduardo Agualusa

    'A Conjura’, pela mão da pena estreante de José Eduardo Agualusa, conduz-nos com maestria ao longo do caminho turbulento das estórias e da História de Angola, em finais do século XIX e inícios do século XXI. Personagens oriundas de uma ascendente burguesia mestiça compõem o núcleo central do enredo, que se constrói num encadeamento de acontecimentos interligados e temperados pelo misticismo popular do encontro das culturas europeia e africana. O autor pincela a narrativa de paixões, traições, fraternidades e desejos de liberdade, para sublimemente nos dar conta do passado do seu país, que bem antes de se tornar independente de Portugal, deu lugar a um plano perfeito de conquista pela tão desejada autonomia. Estamos ainda em 1880 e de repente vemo-nos misteriosamente envolvidos por essa Luanda fantástica de brancos degredados, uma elite europeia exploradora, trabalhadores negros, índigenas nativos revoltados e uma burguesia mestiça ascendente, que protagonizará 31 anos de conjura contra a exploração da coroa portuguesa. Agualusa faz-nos um retrato preciso do período que antecedeu imediatamente a Conferência de Berlim e se estendeu até 1911, logo após a proclamação da república em Portugal, cenário que motivou o crescente descontentamento dos angolanos para com a soberania do país europeu colonizador, a par da simpatia pelos ideais republicanos que se impunham cada vez mais no mundo moderno. Apesar do ambiente com vocação cinematográfica, talvez a abundância de personagens com pequenas aparições e tantos nomes compostos dificulte ao leitor acompanhar a narrativa com pormenor. Ainda assim, trata-se aqui de uma obra prima da literatura contemporânea, que envolve, seduz e enriquece o conhecimento de quem se disponha a viajar por suas páginas.

    2 curtidas

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    Avaliações

    3.7 / 55
    • 5 estrelas22%
    • 4 estrelas24%
    • 3 estrelas47%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas2%
    José Eduardo Agualusa profile picture

    José Eduardo Agualusa

    Agualusa é um dos mais importantes escritores em língua portuguesa da atualidade. Nascido em Angola, mudou-se ainda jovem para Portugal, para estudar agronomia e silvicultura. Acabou alterando a sua carreira para o jornalismo, passando a colaborar para vários jornais, entre eles o <i>Público</i>. Sua obra foi traduzida para mais de 25 idiomas, e em 2016 foi um dos finalistas do Prêmio Man Booker, pelo romance <i>Teoria geral do esquecimento</i>. É autor de romances, contos, novelas, livros infantis e peças de teatro. Sua estreia ocorreu, em 1988, com <i>A conjura</i>, romance que lhe valeu o Prêmio Sonangol Revelação de Literatura de Angola. Seus livros percorrem muitas realidades, mas estão mais centrados em personagens do que em lugares. Alguns deles são baseados em figuras reais como a poetisa Lídia do Carmo Ferreira (<i>Estação das chuvas</i>) e a rainha Ana de Sousa (<i>A rainha Ginga</i>). Também publicou <i>Nação crioula</i>, vencedor do Grande Prêmio de Literatura RTP, <i>Fronteiras perdidas, Barroco tropical</i>, e <i>O vendedor de passados</i>, que ganhou o Prêmio Independente de Ficção Estrangeira do jornal <i>The Independent</i>. Em 2017, venceu o Dublin Literary e, com o prêmio em dinheiro recebido, pretende instalar uma biblioteca pessoal na Ilha de Moçambique, aberta aos habitantes do local. José Eduardo Agualusa acredita que os livros são um território de pensamento e a literatura é um exercício permanente de colocar-se na pele do outro.

    52 Livros
    155 Seguidores

    José Eduardo Agualusa