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    Brochadas - Confissões sexuais de um jovem escritor

    Jacques Fux

    Rocco
    2015
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788532529947
    Português Brasileiro
    3.7
    53 avaliações
    Leram72Lendo5Querem99Relendo0Abandonos2Resenhas7
    Favoritos7Desejados99Avaliaram53

    Não existe tema mais assustador no campo das afirmações da sexualidade masculina do que a brochada. Há homens que dizem que nunca brocharam. Outros discutem sobre o conceito de brochada para ver se escapam. Para os homens a brochada é o medo dos medos e a vergonha das vergonhas. Algum psicanalista disse que o grande pavor de qualquer homem é que uma mulher ria dele. Mesmo que as mulheres não riam das brochadas dos brochas, eles continuam presos ao seu pavor e ao imperativo da ereção ao qual estão condenados. A milagrosa pílula azul não é um evento geracional! A brochada é uma verdadeira manifestação performática da impotência, e os homens aprenderam que na impotência sexual eles estão falidos como um todo. Só um escritor que sabe fazer piada consigo mesmo poderia inventar um livro desses brincando com uma coisa que, para a grande maioria, é bem séria. <i>Brochadas</i> é literal, Jacques Fux conta histórias com aquele jeito de quem, ao falar da vida, faz uma piada. Morre-se de rir enquanto, ao mesmo tempo, fica-se a pensar... Por outro lado, Fux sabe usar sua erudição para nos deixar confusos. Entendemos logo no começo do livro que a brochada é uma metáfora da vida. Brochar é universal. Brochar faz parte da história e da filosofia, faz parte da literatura e da política. De certo modo, até mulheres brocham, mas isso não invalida a brochada masculina, pois a brochada das mulheres é apenas um jeito de solidarizar-se com aquilo que, nos homens, é da ordem da desgraça. Fux não poupa o seu narrador/ensaísta das duras análises das personagens/ex-namoradas, aquelas mulheres que foram construídas e desconstruídas no ato mesmo do acerto de contas literário. Esse conjunto de brochadas antológicas é também um ensaio. Nele há uma confusão boa, um misto de descrição com corajosa reflexão que deixa um leitor feliz tentando descobrir se, o que ele pensava que fosse, era mesmo. Duvido que alguém broche depois de ler esse livro. Se brochar, será de tremendo prazer.

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    Resenhas (7)Ver mais
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    jota 1130/06/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Humor judaico e também universal nas confissões sexuais de um jovem escritor mineiro

    Avaliação da leitura: 3,7/5,0. Lido entre 23 e 29 de junho de 2022. O mineiro Jacques Fux, que é não apenas escritor, mas também matemático e mestre em ciências da computação, foi premiado em 2013 por seu livro de estreia, Antiterapias (2012), que é muito bom, conforme comentei aqui mesmo no Skoob em 2016. Tanto naquele quanto nesse Brochadas -- alguns resenhistas preferem broxadas, mas não existe registro de broxar como verbo --, ele usa o humor para tratar de temas que são caros especialmente aos judeus. Que desde muito tempo praticam a circuncisão nos bebês, mas é claro que o assunto do livro não se restringe à sexualidade judaica e nem mesmo ao sexo masculino. Se Fux praticava a autoficção em Antiterapias, aqui também ele é personagem, usando seu próprio nome, alguém que vive brochando por diversos motivos. Fux, jovem escritor fazendo suas confissões sexuais (obra é de 2015), mostra que seu personagem nunca conseguiu atingir o prazer com as mulheres citadas no livro. Somente conseguia isso através da masturbação, atividade em que nunca brochou, nunquinha, como ele mesmo escreve. Ele quer saber dessas mulheres -- sempre através de correspondência por e-mail – se elas brocharam com ele, como isso aconteceu. Ao mesmo tempo, vai revelando detalhes dessas relações mal sucedidas e também cometendo várias indiscrições, o que não agrada às antigas parceiras de modo nenhum. Uma delas (ou mais de uma, não me lembro bem, bastante irritada, ao responder o e-mail manda que ele vá tomar caju... Entendeu, né? Temos pois Fux escrevendo e depois respondendo -- como se fosse cada uma mulheres com quem ele brochou -- aos e-mails, mas mesmo que a coisa pareça repetitiva, sempre tem um lance engraçado, uma história curiosa, então a leitura nunca fica brochante, ao contrário do padecimento de Jacques. Fux tem bastante erudição, conhecimento, então brinca com a História, também com a cultura e religião judaicas, Homero, Proust, Borges, Swift, Perec, Melville, James Joyce, Hilda Hilst etc., portanto o volume não é apenas divertido, também é bastante informativo. Penso que me diverti mais (ou apreciei mais) lendo Antiterapias, mas a leitura de Brochadas também vale a pena porque Jacques Fux não brocha nunca quando se trata de fazer humor inteligente. Nesta data (30/06/2022), em que publico esses rápidos comentários, a avaliação do livro aqui no Skoob atinge a média 3.7/5.0: ela me parece bastante adequada para o material apresentado por Fux.

    10 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 53
    • 5 estrelas21%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas30%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas4%
    Jacques Fux profile picture

    Jacques Fux

    Jacques Fux nasceu em Belo Horizonte em 1977. Com profícua vida acadêmica, Jacques é graduado em matemática e mestre em ciência da computação pela UFMG, doutor e pós-doutor em literatura pela UFMG, pela Universidade de Lille 3 (França) e pela Unicamp, além de pesquisador visitante na Universidade de Harvard. Sua tese de doutorado Literatura e Matemática: Jorge Luis Borges, Georges Perec e o OULIPO (Tradição Planalto, 2011) recebeu em 2011 o Prêmio CAPES de melhor tese de Letras/Linguística do Brasil. Antiterapias (Scriptum, 2012), seu romance de estreia, venceu o Prêmio São Paulo de Literatura 2013 e o manuscrito do próximo livro, Brochadas: confissões sexuais de um jovem escritor (Rocco, 2015, prelo), recebeu Menção Honrosa no Prêmio Cidade de Belo Horizonte.

    5 Livros
    18 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    Jacques Fux