Sabe aquele livro que você termina e pensa: “Isso aqui era pra ser sério ou foi zoeira?” Pois é. Entre Corações quer ser um romance fofo de interior mineiro, mas tropeça em todos os clichês imagináveis – e inventa mais uns três só pra garantir a vergonha alheia.
• Mônica: a rainha do nada‑pra‑fazer. Vive uma vida boa, o pai sustenta, não lava uma louça, nao trabalha, nao varre uma casa. Ela atravessa fazendas a pé atrás de namorado, mas em outra cena precisa de carro porque “é longe demais”. Zero coerência, 100% preguiça de roteiro.
• O vocabulário oscila entre “cabrita”, “bezerrinha” e “guria” (em Minas Gerais!!!!). Fica parecendo fanfic gaúcha perdida na divisa com Goiás.
• Sandra: a única com potencial real, jogada lá no canto como figurante malvada. A autora preferiu focar num casal principal digno de recreio de quinta série e fez a caveira da Sandra)
Romance instantâneo: duas trocas de olhar, cinco páginas depois já estão fugindo pra namorar. O relacionamento avança tão rápido que o leitor ainda tá abrindo o saquinho de pipoca quando chega o “você é minha, cabocla”.
Falta de pesquisa:
• Economia rural: fazendeiro oferecendo R$ 1 milhão como se fosse fortuna de outro mundo. Gente, hoje até sítio miúdo custa issoo; imagina fazenda!!!
• Agricultura de videogame: pragas surgem no pomar “do dia pra noite” e somem quase com spray antimosquito. Qualquer produtor rural choraria de rir com isso.
• Locomoção: ir a pé / ir de carro / teleporte? Depende do humor da página.
• Igreja 24 h com hospedagem: literalmente “bateu, entrou, dormiu”. Nem albergue de peregrino é tão fácil.
• Criados: século XIX ligou pedindo o termo de volta; em 2025 a gente chama de funcionários, combinado?
O texto tenta soar regional, mas vira bingo de estereótipos: “guria” (sul), “cabocla” (centro‑oeste), “bezerrinha” (sei‑lá‑onde)… Resultado: um Frankenstein linguístico que ofende qualquer mineiro, gaúcho e dicionário ao mesmo tempo.
Final de novela das oito, com direito a plot twist preguiçoso e todo mundo feliz, menos o leitor que gastou tempo (e talvez dinheiro) nisso.
Então se você procura profundidade, coerência ou romance que convença, fuja. Entre Corações é fanfic mal revisada: bobinho, cheio de furos e personagens tão rasos que dão pé. Mas, se o seu objetivo é colecionar exemplos do que não fazer num romance, a leitura vira quase estudo de caso – com bônus de boas risadas involuntárias.
Nota: dó
Aviso: tem romances nacionais incríveis por aí, só não é esse.