Nas duas últimas décadas, a arqueologia e as pesquisas literárias da Bíblia têm mudado a compreensão da história de Israel. Tanto que, em nossos dias, não é mais apropriado pensar Israel e sua história como única grande entidade nacional sob um único governo, mas como duas entidades distintas: Israel Norte e Judá. O marco é 722 a.C., quando a Assíria invade a capital Samaria. Só então Judá se torna independente do domínio do norte, se desenvolve e começa a escrever a história, incorporando e assumindo as tradições do norte como suas. Portanto, “desenterrar” a memória de Israel Norte é ainda uma tarefa longa, mas que este livro se propõe a iniciar: a história vista a partir de Israel Norte.
A Bíblia, a arqueologia e a história de Israel e Judá (Nova coleção bíblica)
José Ademar Kaefer
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Ver maisA Bíblia, a arqueologia e a história de Israel e Judá RESENHA
José Ademar Kaefer A Bíblia, a arqueologia e a história de Israel e Judá. O livro é razoável, levando em conta que tenha sido escrito por um teólogo católico extremamente liberal. Explicando melhor: o livro não é bom realmente; mas para um material liberal, é razoável. Não espere ler um livro verdadeiramente comprometido com a fé cristã (nem com a ala católica), pois não é esse o interesse de Kaefer, de página a página. Nem sequer é possível ter certeza da fé do autor. O que fica evidente é seu ceticismo diante do texto bíblico e seu compromisso academicista. Vamos ao conteúdo. O livro é uma tentativa de encontrar os limites tanto para a exegese quanto para a arqueologia; isso poderia ser descrito em outros termos: é uma crítica/análise técnica a respeito do que se pode ou não, em definitivo, encontrar a partir das abordagens sincrônica e diacrônica, como elas se complementam e como precisam ser usadas. O problema mesmo é que o autor despreza a veracidade do texto bíblico, o que enfraquece o fator teológico ao ponto da exegese não ter sentido. Para o autor, apenas o que é historicamente catalogado (leia-se: comprovado pelo gosto dos historiadores) é que pode ser de fato afirmado como verdade histórica. Assim, tudo que de fontes externas à Bíblia parece discordar minimamente dela, parece significar certamente que a Bíblia, naquele ponto, é inválida e deve-se ficar com as outras fontes. Uma coisa irritante é a insistência do autor em acusar teólogos de fazerem defesas e interpretações bíblicas partindo dos seus pressupostos de fé, enquanto ele não para sequer para postular que os arqueólogos e céticos também têm seus próprios pressupostos, que motivam suas pesquisas e para onde tudo o que procuram deve necessariamente convergir. Eu fiz um vídeo recentemente sobre isso, que pode ser visto aqui: https://youtu.be/rj85pbVgvGY As duas únicas boas contribuições no livro, e de fato admito serem boas, foram estas: 1) A forma como o autor trabalha um item hermenêutico bem descrito de forma concisa que consta já no prólogo do material, como transcrevo abaixo: É preciso ter em mente que os textos bíblicos foram escritos bem depois dos fatos narrados terem acontecido, e que eles sempre trazem em suas narrativas o contexto, a realidade e as preocupações do período histórico em que foram escritos. 2) A coragem de se opor ao modelo monárquico israelita, apresentando excelentes argumentos contra as pífias justificativas de se defender o Estado (qualquer que seja o modelo), cujo trecho eu expus (com ênfases minhas) neste artigo: www.anthares.us/o-advento-dos-primeiros-monarcas
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