Um personagem, visivelmente atordoado, perdido no mundo, parte em busca de seu "caminho do meio" budista, o caminho do equilíbrio. Descobre em meio a um encontro de comunidades alternativas , várias formas de viver uma mesma vida, diferente de tudo que o mundo lhe impusera.
Garimpeiro de Almas
Rodrigo de Toledo Coutinho
O Autor e o Carrasco
Em 2003 fui visitar a Bienal do Livro de Minas Gerais quando ganhei um jornal literário e nele tinha uma pequena passagem deste livro e a curiosidade me levou a compra-lo, hoje fico feliz por fazer uma pequena resenha dele, este livro é instigante e leva o leitor a continuar página por página para saber o real final do personagem. Garimpeiro de Almas é um livro de 160 páginas escrito em primeira pessoa, livro dividida em 3 partes onde o narrador fala de sua história quando decidiu sair de casa buscando riqueza a principio no garimpo, o que torna o livro curioso é que desde o início o leitor se depara com um cenário incomum, presídio de segurança Máxima do Estado de Arkansas nos EUA. Você seria capaz de contar uma história tão boa que o seu carrasco aquele que vai supostamente tirar sua vida acabaria em prantos? Em Garimpeiro de Almas o leitor se torna o carrasco onde página por página é levado a decidir o destino do livro, do personagem, simplesmente onde continuar lendo ou não é o que vai decidir o final ou a vida daquele que está preso a maca. "- Qual a razão de tudo isso? -Quero provar que sou homem, só volto quando fizer fortuna." Rodrigo cria neste livro um personagem totalmente singular, atordoado pela vida e em busca de si mesmo e porque não dizer de seu lugar no mundo, ele busca riquezas, ele vai descobrir posteriormente a verdadeiro riqueza de uma pessoa. O leitor é guiado fielmente pelas páginas enquanto o personagem narra toda história para o carrasco que ira tirar sua vida, nosso personagem está condenado a morte. "-O meu ultimo pedido é poder lhe contar uma história." Quando sai de sua cidade ele se depara com muitas aventuras e desventuras também, e em sua jornada ele conhece e convive com muitas pessoas, incluindo comunidades alternativas e budistas também ao qual se junta seguindo a estrada, por vias da sorte ele consegue chegar nos Estados Unidos sem dinheiro algum. Um livro que te mostra a importância de valorizar a vida e as pequenas coisas, o próprio personagem sobrevive com o pouco, o necessário, aqui é narrado como certas companhias podem acabar com a vida de um ser. Acaba ficando rico mas de sabedoria e experiência, conhecemos a vida em uma comunidade alternativa, e um namoro incomum entre o nosso personagem e sua barraca, em momentos diversos acompanhamos o diálogo dos dois suas discursões e brigas, eu não posso dizer que ele já está ficando louco, afinal todos nós temos a tendência a imaginar aquilo que nos falta, ali nos é mostrado que o amor não está na relação sexual em si nas conversas e parcerias diárias. Ele entra em um aprendizado tão tocante que acaba nos envolvendo, o autor dá um pincelada no contrabando, mostrando as supostas facilidades de entrar em um país portando mercadoria ilegal, diga-se de passagem. É um livro que se você ainda não leu, eu lhe indico com toda certeza para pessoas que assim como eu gostam de uma boa reflexão sobre a vida e claro passeie por novos ambientes e cidades sem sair de casa, leitura é cultura.
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