O contrário de B.

    Bruno Liberal

    Confraria do Vento
    2015
    108 páginas
    3h 36m
    ISBN-13: 9788555320033
    Português Brasileiro

    Tendo as relações familiares como eixo, O contrário de B. é uma reunião de contos que oscilam entre a mais pura crueza do realismo e o agudo perturbador do fantástico. Repleto de existências fraturadas, acumula experiências sempre traumáticas, sugerindo a dor como resposta única à passagem do tempo. Cada conto é uma espécie de nó que não contém em si a mais sutil indicação de como deve ser desatado.

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    Amâncio Siqueira Rosa Neto01/07/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A Dupla Face

    Embora costume me ater ao conteúdo literário em minhas resenhas, sou um bibliófilo , e ao falar do livro de contos “O Contrário de B”16054141 (Confraria do Vento, 2015), de Bruno Liberal, não posso deixar de exaltar o excelente trabalho gráfico, em especial o design da capa, desenvolvida por Alemterra Graphic Designs com base em imagem de Lara Zankoul. É um belo livro, também do ponto de vista de objeto. Também, porque é um belo conjunto de contos, que não precisa ser julgado apenas pela capa. O conto que dá título ao volume, com uma pegada social muito forte, lembra do aspecto mais cruel de cidades pequenas que vão se tornando metrópoles. “O contrário de B” mostra o contraditório, a outra face para a qual viramos nossa face em busca da ignorância redentora. Essa é a pegada da maior parte dos contos, que são recheados de um realismo que se distancia da influência kafkiana à qual fui conduzido pelo título, embora haja algo de kafkiano no conto “Isso não é jeito de voar”, que remete ainda a Salman Rushdie. Os contos que destaco são os ótimos “Pater Familias II”, “Distante” e “Esse Último Sorriso”, ambos com temática da grande tragédia familiar que se prenuncia com pequenas tragédias quase desapercebidas, que se mostram pela lupa da perspectiva bem focalizada pelo autor, além de “Não Precisa Gritar”, que alia a temática acima a outra, da crueldade da vida de aparência, ampliada pelas redes sociais que des-socializam. Em “Pater Familias II” Liberal consegue aquilo que mais se busca em literatura: dizer algo “novo” com aparência de óbvio, ou dizer algo óbvio com aparência de novo. A mangueira e toda a carga em seu entorno me pareceram clichê num primeiro momento, até perceber que não tinha visto isso antes. É o melhor conto pra mim. O conto “Hoje Não” me pareceu destoar da qualidade e intenções dos demais, embora talvez seja essa a intenção do autor: diminuir um pouco o peso do livro, refrescar o leitor como se lhe desse um sorvete antes de retomar seu passeio por esse mundo do avesso. Ou talvez seja tudo ao contrário, e os demais contos é que queiram diminuir o peso desse mundo de shopping center.

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