Tornar-se independente do Império Espanhol não estava nada fácil para a Holanda. A guerra durava 47 anos. Entretanto, distante da Europa, em pleno Mar do Caribe, um golpe de sorte, aliado à ousadia e à coragem de um corsário holandês, virou o jogo. Agora, a Companhia das Índias Ocidentais - WIC "nadava em dinheiro". Decidiu-se voltar a invadir o Brasil, desta vez tomando Pernambuco, que eles chamavam Zuikerland, ou "Terra do Açúcar". O diário - verídico - de um jovem mercenário alemão, a serviço da WIC no Brasil, detalha os bastidores da grandiosa operação. A batalha por Olinda durou apenas um dia. No entanto, fora das muralhas, escondido na mata, o governador, Matias de Albuquerque, resistia bravamente com táticas de guerrilha. E uma vez lhe tendo sido revelado um antigo segredo pelo comissário da Santa Inquisição, aos holandeses só restara recomeçar do zero, construindo uma nova cidade: Recife. Nesse meio-tempo, uma Princesa de Orange funda um reino nas Antilhas; a Espanha mergulha em grave crise econômica; e, na França, o cardeal Richelieu começa a expandir seu poder. Fascinante, Invasão a Pernambuco é um desses livros que prendem a sua atenção, dosando entretenimento e conhecimento da primeira à última página. Um romance histórico, com personagens de carne e osso, repleto de aventuras, curiosidades e surpresas.
Invasão a Pernambuco (Epopeia Holandesa no Brasil #3) - Epopeia Holandesa no Brasil
Aydano Roriz
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Nota 3,9 de 5,0 4° Livro do Ano O livro começa exatamente de onde seu antecessor terminou. Após a perda da Bahia pelos holandeses e a compensação do mesmo fato pelo apresamento da armada espanhola que carregava a prata vinda do Peru os holandeses decidem mirar Pernambuco a província do Açúcar, ouro branco ou como eles chamavam Zukerland (Terra do açúcar). O livro com uma narração excelente nos apresenta as aventuras e desventuras dos mesmos personagens dos livros anteriores. No entanto para um fim de saga, achei muito genérico, como um documentário feito as pressas que ao final apenas deixa para revelar o que aconteceu com os personagens através de um curto epílogo que não passa nem de 3 páginas. Isso é um pouco frustante, já que deixa a expectativa de ao menos mais um quarto livro, quem sabe se ele ocorrerá no futuro. Vamos então aos melhores trechos do livro: O povo é parvo. Tanto se faz de cego, como enxerga o que o bom-senso não vê. Tanto se faz de surdo, como ouve embevecido as maiores asnices. Pode manter- se mudo por anos a fio ou, se bem orquestrado, bradar gritos de glória ou de revolta. Só depende da política. O povo é parvo. Mas se bem orquestrado… “Gostemos ou não, é do povo que emana o poder; é o coração do povo que se precisa conquistar”. O povo é mesmo parvo. Encha-lhes o bucho, dê-lhes alguma distração e esperança, e terás à volta os melhores baba-ovos que o sol já cobriu. O pior cego é aquele que não quer ver. Nada exaspera mais um homem de caráter do que tentarem nivelá-lo a um irresponsável. Ainda mais quando o nivelamento é feito pelo próprio irresponsável, com a convicção de um parasita que se julga no direito de parasitar. Some- se o fato de que, para os medíocres – e medíocres sempre abundam em todos os estratos sociais –, bolsos momentaneamente cheios dão uma sensação de abastança infinita. Povo é bicho matreiro. Encha-lhes o bucho, dê-lhes cachaça e se descobre cada coisa! Não obstante, a prudência do capitão-mor conseguia ser mais arraigada que as instigações da fantasia. Temia cair na boca do povo. Saco vazio não fica em pé. “Sempre existirão mais marés que marinheiros”. Para quem não quer entender, não adianta tentar explicar. Dinheiro não frutifica em árvores, meu nobre. É custoso ganhar. Mais custoso ainda receber. Não é difícil criar uma grande mentira ao se reunir pequenas frações de verdades. Banqueiros são figuras curiosas. Oferecem guarda-chuva em dias de sol e hesitam em emprestá-lo quando ameaça chover. Aquelas gentes que nunca creditam a terceiros os seus triunfos, mas sempre encontram culpados para os próprios dissabores. Para tudo, sempre tem um jeito. O Talmud nos diz que na data do aniversário, o mazal, a sorte das pessoas, é dominante. “A estrada para o inferno é pavimentada de boas intenções”. “Leste ou oeste, a casa é melhor”. “O mundo inteiro não vale o meu lar”.
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