A Onça e o Caçador

    C. S. Brumann

    Independente
    2015
    4 páginas
    8m
    ISBN-10: B0113JG6JK
    Português Brasileiro

    Os moradores do vilarejo já tinham perdido a fé no homem. Desistiram de chamá-lo caçador. Naquelas bandas, só era digno do título os que fizessem por merecê-lo. O homem passou dez anos caçando o animal, mas a única façanha alcançada foi servir de chacota. Inclinou a cabeça. Fez grande esforço pra evitar que as lágrimas fossem ao chão. Mas um sentimento de fracasso o assaltou por completo. O homem estava vencido. Perdeu pra ele mesmo. Sentiu-se incapaz. Acreditou que a história dos seus familiares-caçadores encerrava ali. Ele era o limite. Os livros de memória não registrariam seus feitos. A lembrança de sua existência seria marcada de vergonha e humilhação. Sua alma entrou em desespero. Não aguentou mais. Chorou copiosamente. Levantou a cabeça apenas quando ouviu um estranho som correndo lentamente por entre as árvores. Era a onça, observando-o com um olhar frio e devastador. O animal soltou um violento esturro e começou correr em sua direção. O homem equilibrou rapidamente a espingarda, e quando ia preparar o gatilho, não precisou concluir a ação...

    Resenhas (1)Ver mais
    A Holdford picture
    A Holdford15/08/2015Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Um dia é da caça e outro do caçador

    Este é o primeiro conto que li do autor C. S. Brumann e achei interessante a forma na qual ele soube trabalhar a história, porém acredito que seria interessante ele dar uma observada nas novas regras de português (por exemplo: ideia não leva mais acento com a nova ortografia). No conto somos apresentados a um drama de um caçador. De uma família de gerações e mais gerações de grandes caçadores, ele a cada dia perde um pouco o respeito das pessoas do vilarejo, já que é incapaz de caçar uma onça que ali existe. Não que ele não esteja tentando, mas parece que o animal é mais esperto que ele e suas buscas se tornam cada vez mais infrutíferas. O embate entre os dois é o ponto alto do conto. Mas eu confesso que fiquei com peninha da onça, sabe? Snif... No entanto, achei digno o final e ao que ele culminou, vendo o como o pobre caçador andava com a moral tão aquém.

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