Como é bom ler Iara
“Saraivada” é uma chuva de palavras que não se limita ao vento do sertão, mas atravessa a carne e a memória — um corpo feminino que brota no granito da paisagem do Seridó e se desnuda em silêncio. Aqui, Iara toma a condição feminina como lugar de fala e batalha, e molda os terrores da saudade e da chuva miúda em versos que tremem. A linguagem é crua e diáfana ao mesmo tempo, a lembrança se dobra em erosão e delicadeza. Um livro que toca pela honestidade contundente e pela aura de lugar-quase-mito que ela constrói.
