Que Farei Com Este Livro? -

    José Saramago

    Porto Editora
    2015
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9789720047144
    Português

    Que farei com este livro?, pergunta-se Camões, segundo José Saramago, ao contemplar o seu poema Os Lusíadas por fim impresso. Foi esta a pergunta que induziu José Saramago a escrever uma peça de teatro cuja ação decorre em Almeirim e Lisboa entre abril de 1570 e março de 1572, entre a chegada de Luís de Camões a Lisboa, vindo da Índia e Moçambique, e a publicação da primeira edição de Os Lusíadas. No meio de personagens históricas figuram outras nascidas da imaginação do escritor, todas em torno da edição de Os Lusíadas. «Se eu fosse esmolar pelas ruas e praças talvez me dessem dinheiro para comer. Mas não mo dariam se eu dissesse que o destinava a pagar ao livreiro que me imprimisse o livro.» Será necessário ler este livro para saber se foi Camões ou Saramago quem assim falou.

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    Evelyn Ruani15/06/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    DESAFIO LITERÁRIO 2011 - Tema: Peças Teatrais / Mês: Junho (Livro 4)

    Definitivamente eu sou fã de Saramago. Até mesmo no gênero teatro, que não é o meu forte, ele conseguiu me cativar. Confesso que a leitura das três peças que compõe esse livro foi mais simples e agradável para mim. Acredito que isso se deva aos longos e poéticos, embora não tão poéticos quanto Shakespeare, diálogos e conversas ao longo das três incríveis histórias. Copiei lindas citações e embora o tema, político e ao mesmo tempo existencial, também não seja dos meus favoritos, a leitura fluiu e só confirmou a habilidade do autor português. A primeira peça, chamada "Que farei deste livro?" trata do retorno de Luís de Camões das Índias com seus escritos, Os Lusíadas. Na obtusa Inquisição e medíocre corte de Lisboa da época, Camões tem que negociar a permissão para publicar a sua obra, que veio a se tornar a amior da língua portuguesa. Gostei bastante dessa primeira peça, e foi das três a que li com maior interesse. Os diálogos são ótimos, afiados e cativam o leitor. "A noite", segunda peça do livro, relata a noite de 24 para 25 de abril de 1974 quando se inicia a Revolução dos Cravos. Com sua habilidade e ironia, Saramago nos faz experimentar o impacto imediato que a Revolução tem sobre a redação de um grande jornal. São relatados nesta, a rotina de uma redação com seus conflitos internos, pequenas revoltas, afetos, bajulações e conveniências. Os diálogos são ainda mais afiados, nesta, e não há como não querer saber como tudo vai terminar. Em, "A Segunda Vida de Francisco de Assis", o próprio volta à terra nos dias de hoje e encontra sua ordem transformada numa empresa gigantesca e lucrativa. Das três, foi a que achei mais original e que li com maior interesse. O texto todo é uma luta entre a razão e a força, mostrando bem o capitalismo, as chefias, a política, a valorização e desvalorização dos produtos e das pessoas. E a eterna luta de Francisco, que termina a peça dizendo: <i>"Agora vou lutar contra a pobreza. É a pobreza que dever ser eliminada do mundo. A pobreza não é santa. Tantos séculos para compreender isto".</i> Gostei muito da leitura deste livro, embora não consiga ainda dar cinco estrelas para este gênero literário. Leitura recomendada!

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